Fluminense 2023: quando os deuses do futebol pagaram a dívida
- Rafael Camara

- 10 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: há 6 dias

Quem escreve esse texto é o mesmo que, em 2018, relembrou os 10 anos do vice do Fluminense na LIbertadores de 2008. Agora, enfim, volto a este site para contar mais uma história do tricolor em busca da Glória Eterna. Desta vez com final feliz.
Depois de ter sido campeão do Campeonato Carioca, eliminado na pré-Libertadores e de um surpreendente 3ª lugar no Brasileirão do ano anterior, o time comandado por Fernando Diniz começava a temporada de 2023 mantendo as peças principais do elenco como Fábio, Felipe Melo, André, Árias e Cano e se reforçava com a chegada de Keno e Marcelo.
Veio então mais um título estadual - mais uma vez contra o Flamengo - e dessa vez com direito a uma goleada por 4x1, depois de perder o jogo da ida por 2x0. Os reforços, sobretudo Marcelo, aumentavam a expectativa para o restante da temporada. Era hora de encarar mais uma Libertadores da América.
Na primeira fase, a classificação em primeiro do grupo se tornou um mero detalhe depois de uma histórica goleada por 5x1 em cima do River Plate.
No primeiro confronto do mata-mata, uma classificação sem sustos em cima do Argentinos Jrs., depois de 1x1 e 2x0 no Maracanã, com show do lateral Samuel Xavier, que fez gol nas duas partidas. Nas quartas, contra o Olímpia, mais tranquilo ainda: 2x0 no Paraguai e 3x1 no Maracanã. 15 anos depois, o Fluminense voltava a uma semifinal de Libertadores. O adversário seria o Internacional e a decisão no Beira-Rio.
De volta à semifinal 15 anos depois
Um disputado 2x2 diante de 67 mil torcedores no Maracanã deixava tudo em aberto. No jogo da volta, logo aos 10' Fábio falha na saída de um escanteio e o Internacional abre o placar com Mercado. Apesar de dominar o jogo, o Internacional pecava na finalização enquanto o Fluminense só se defendia e ia para o intervalo comemorando estar perdendo somente de 1x0.
Sem ter escolha, o Tricolor das Laranjeiras voltava para a etapa final se lançando ao ataque. Com os espaços cedidos, o Internacional aproveitava dos contra-ataques mas Enner Valencia, de forma inexplicável, perdeu três chances claríssimas de ampliar, lances que dificilmente a torcida do Inter conseguirá esquecer. Mesmo sem conseguir empatar o jogo, era como se algo de sobrenatural mostrasse que aquela noite seria do Fluminense. Talvez um trabalho do Sobrenatural de Almeida, como dia Nelson Rodrigues. Aos 36', em uma rápida troca de passes, John Kennedy abre espaço pela esquerda, Cano toca e JK dá um toquinho por baixo, na saída de Rochet, e empata a partida.
A torcida do Fluminense se animava e pensava que com Fábio no gol a chance de passar nos pênaltis seria enorme. Só que esse pensamento durou pouco. Sete minutos, pra ser exato. Em outra rápida armação de jogada, Cano tocou de primeira para Yony Gonzalez, que tocou de primeira para JK, que tocou de primeira para Cano, que fez o que sabia fazer de melhor: tocou de primeira para o fundo do gol.
Todo dia é 4 de novembro
4 de novembro de 2023. O destino quis que a final fosse justamente no Maracanã. "Chegou a hora, vamos ganhar a Libertadores", era o que cantavam quase 70 mil torcedores no estádio e mais 10 mil na Cinelândia, uma conhecida região do centro do Rio, onde havia um telão especialmente montado para essa final (e eu estava lá).
O primeiro tempo começou com poucas chances de ambos os lados, até que, aos 36', Cano recebe uma bola de Keno e bate direto para o gol. Agora era o Fluminense que ia para o intervalo à frente do placar e diante da sua torcida. E era ele que continuava controlando o jogo. Só que, aos 27', Advíncula bate de fora da área e empata. O fantasma de 2008 voltava a assombrar. O medo de mais um vice, porém, não fez a torcida parar de cantar nem quando Diogo Barbosa chutou cruzado pra fora aos 48'.
Será que o destino ia pregar uma peça? Será que a torcida tricolor teria que lidar com mais um trauma dentro do Maracanã? Não. Não dessa vez. Aos 8' do primeiro tempo da prorrogação. John Kennedy recebeu de Keno uma bola perfeita na entrada da área, encheu o pé e estufou a rede. Guga ainda teve mais uma chance, que bateu na trave, mostrando que aquele dia tinha mesmo que ser da dupla JK e Cano.
Wilmar Roldan apita pela última vez e "o Fluminense... conquista a América!", como dito pelo narrador Luis Roberto de Múcio. Era o fim de um pesadelo, era o sonho que se tornara realidade, era a América, enfim, vestida de verde, branco e grená.
Os deuses do futebol pagaram a dívida que tinham com o Fluminense 2023 por terem tirado dele aquele título de 2008. Mais do que isso, ainda fizeram com que a LDU fosse o adversário da Recopa, deixando também esse fantasma no passado.
🏆 Campeonato Carioca e Libertadores da América
👕 Time base: Fábio, Samuel Xavier, Nino, Felipe Melo, Marcelo; André, Alexsander, Ganso; Árias, Keno e Cano
👤 Principais classudos: Fábio, John Kennedy e Cano
📺 Jogo Marcante: Internacional 1x2 Fluminense, jogo de volta da semifinal
⚽ Gol marcante: John Kennedy, aos 9' minutos da prorrogação, na final











Comentários