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Bigode: Condenado ao sofrimento eterno

  • Caio Maia
  • há 7 dias
  • 4 min de leitura

Jogador BIgode com a camisa do Fluminense

Ao mesmo tempo em que o futebol cria ídolos eternos, ele pode destruir carreiras em questão de minutos. Grandes atletas foram relegados à categoria de párias da sociedade por erros simples em momentos importantes. Um desses jogadores que foi condenado ao sofrimento perpétuo foi Bigode. Zagueiro titular da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1950, o jogador foi, junto com Barbosa, um dos “culpados” pelo segundo gol do Uruguai no Maracanã. Após a partida, boas atuações por um dos maiores clubes do país não foram o bastante para que Bigode fosse perdoado. Para alguns, o passado nem sempre passa.


Nascido em Belo Horizonte em 1922, João Ferreira, o Bigode, foi reconhecido na década de 1940 como um dos bons jogadores da posição. Era valente, forte e tinha muita velocidade, o que compensava sua falta de estatura. Além disso, sabia sair bem com a bola nos pés, o que chamava atenção do público na época.


Iniciou sua carreira jogando em equipes amadoras de Minas Gerais. Em 1938, Bigode foi defender o Sete de Setembro, tradicional clube da capital. Nessa época, João era conhecido por “Bigodinho”. Anos mais tarde ganhou o apelido por qual ficou conhecido.


Em 1940, Bigode foi comprado pelo Atlético Mineiro. Foi no Galo que o atleta assinou seu primeiro contrato profissional. No clube alvinegro também chegaram as primeiras conquistas, com o bicampeonato estadual em 1941 e 1942. Durante o período em que ficou no Atlético, Bigode criou um estilo peculiar: sempre usava um gorrinho durante as partidas. Feito de lã, o adereço carregava as cores do clube.


Após três boas temporadas no Galo, Bigode chamou a atenção do Fluminense. Em 1943, o zagueiro acertou a transferência para o clube carioca. Nas Laranjeiras, Bigode conquistou o primeiro título apenas em 1946, com a conquista do campeonato carioca.


Boas atuações no tricolor fizeram com que Bigode chegasse à Seleção Carioca e, posteriormente, a Seleção Brasileira. Com o terno canarinho, o zagueiro teve uma passagem curta e marcante. Foram apenas 10 jogos e nenhum gol marcado. Apesar disso, venceu o campeonato Sul-Americano de 1949, a Taça Oswaldo Cruz e a Copa Rio Branco, já em 1950.


Em 1949, Bigode não renovou o contrato com o tricolor das Laranjeiras e foi para o Flamengo. Na Gávea bigode disputou apenas duas temporadas e não conquistou títulos.


Faltavam poucos meses para a Copa do Mundo, a primeira depois de 12 anos. Bigode tinha 28 anos. Estava em um dos clubes com maior torcida do país e vinha de uma boa sequencia de títulos estaduais e pela seleção. Realmente, a Copa de 1950 foi um divisor de águas para a carreira de Bigode, mas não como ele gostaria.


Convocado pelo técnico Flávio Costa, Bigode disputou lugar com Noronha e Nilton Santos. Na Copa do Mundo, o zagueiro só não esteve em campo no empate contra a Suíça por 2×2 no Pacaembu.


Antes de entrar em campo contra o Uruguai, Bigode foi instruído pelo treinador a não cometer entradas mais duras ou revidar as provocações do adversário. Tudo ficou mais tranquilo após o gol de Friaça, no início da segunda etapa. Mas, como o avançar do relógio, os uruguaios passaram a usar cada vez mais as jogadas pela direita, manobras que passavam pelo o ponteiro Ghiggia na linha de fundo. Em uma dessas investidas, Ghiggia colocou o atacante Schiaffino livre para empatar o jogo aos 21 minutos.


No segundo gol a jogada foi idêntica. Ghiggia venceu Bigode na corrida e dessa vez não procurou ninguém, ou não teve tempo para fazer. Então disparou o chute relativamente fraco contra o goleiro Barbosa. Com o gol, a Celeste conquistou o segundo título mundial contra o Brasil, no Maracanã lotado com 200 mil pessoas.


Nesse momento, o caos foi declarado nas carreiras de Barbosa e Bigode. Calúnias, ofensas racistas e ameaças de morte tornaram o “Jogador mais Popular do Rio de Janeiro” (prêmio conquistado por Bigode quando ainda jogava pelo Fluminense) no homem mais odiado do país.


Após a Copa, Bigode voltou ao Fluminense em 1952. Na segunda passagem pelas Laranjeiras, venceu a Copa Rio do mesmo ano e jogou mais quatro temporadas. Em 1956, decidiu abandonar os gramados, não suportando mais a pressão dos torcedores. Bigode passou o restante da vida com explicações sobre o lance contra o Uruguai. Em certo momento, optou pelo completo anonimato. Faleceu em julho de 2003.


Por que Bigode jogava de terno?


Bigode tinha certo talento, isso é inegável. Era um zagueiro diferente. Baixo, veloz e forte. Chamava a atenção por unir características opostas dentro de um mesmo estilo de jogo. Porém, a carreira de Bigode provavelmente não seria lembrada se não fosse o episódio do Maracanã. Assim como vários outros grandes jogadores do país, poderia ser marcado apenas pela regularidade dentro dos gramados e algumas boas temporadas. O fato é: Bigode virou sim personagem no esporte, mas não do jeito que gostaria.


👤 João Ferreira


👶 4 de abril de 1922, faleceu em 31 de julho de 2003, aos 81 anos


🏠 Brasileiro


👕 Sete de Setembro, Atlético Mineiro, Fluminense, Flamengo e Seleção Brasileira.


🏆 (Principais) Campeonato Mineiro 41 e 42 (Atlético Mineiro), Campeonato Carioca 46 e Copa Rio 52 (Fluminense), Campeonato Sul-Americano 49 (Brasil)


👑 (Principais) Sem premiações de destaque


Classômetro: 👔👔👔👔👔👔(6,7).


📷 Revista Vida de Crack

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