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  • Didi: o senhor futebol

    O esporte mais popular do planeta comete suas injustiças, mesmo que involuntariamente. Muitos jogadores, embora sejam ícones para os apaixonados por futebol, mereciam o triplo do reconhecimento que possuem. Certamente, um deles é Didi (Valdir Pereira), apelidado de “Mr. Football” durante a Copa do Mundo de 1958. Valdir iniciou sua carreira profissional em 1946, no Americano Futebol Clube, de Campos dos Goytacazes (RJ), com 16 anos. Mas nada foi fácil. Em 1944, Didi sofreu uma infecção na perna esquerda e quase teve que amputá-la, mas os deuses do futebol não permitiriam esse desperdício de talento. Depois do Americano, Didi teve passagens rápidas por Lençoense e Madureira, antes de chegar ao Fluminense, em 1949, quando começou a demonstrar sua elegância em campo, que o rendeu o apelido de “Príncipe Etíope”, criado por Nelson Rodrigues, ilustre torcedor do tricolor carioca. No Fluminense, Didi logo assumiu um papel de destaque e fez parte do lendário time que contava com Castillo, Pinheiro, Telê Santana e Carlyle. Sua carreira começava a deslanchar. Em 1950, deixou de ser uma promessa para fazer história: Didi marcou o primeiro gol da história do Maracanã, jogando pela seleção carioca. O mundo começava a conhecê-lo, tanto é que, em 1952, o jogador foi um dos destaques do time tricolor no importante título da Copa Rio, uma espécie de Mundial organizado pela antiga CBD e pelo próprio clube das Laranjeiras, que completava 50 anos de existência. No mesmo ano, foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira, onde rapidamente se firmou, jogando a Copa do Mundo de 1954, quando o Brasil foi eliminado nas quartas de final pela poderosa Hungria liderada por Puskas. Seguiu no Fluminense até 1956, não conseguindo mais títulos, mas entrando para a história com 91 gols em 298 jogos e com a criação da eternizada cobrança de falta no estilo “folha seca”, técnica que consistia em bater na bola com o lado externo do pé, fazendo-a girar sobre si mesma e modificar sua trajetória. Depois, apenas via-se a bola caindo lentamente no fundo do gol. Em 1956, Didi foi jogar no Botafogo de Garrincha, Nilton Santos e Quarentinha. Tornou-se ídolo dos alvinegros rapidamente e continuava a mostrar sua classe, técnica e maestria com lançamentos precisos para Garrincha, que quase sempre terminavam em gols. A dupla se eternizaria na história do clube de General Severiano. Em 1958, veio o ápice. Com 29 anos, Didi jogou sua segunda Copa do Mundo na Suécia e se eternizaria na história do futebol mundial. Titular absoluto do esquadrão brasileiro que contava com Djalma Santos, Zagallo, Pelé, Garrincha, Nilton Santos, Zito, Dida e Vavá, Didi encantou o mundo com sua elegância e maestria. Revolucionou o que conhecemos por ‘meio-campo’ e se tornou o cérebro do time, dando início ao que chamamos hoje de ‘jogo bonito’. O Brasil, após uma campanha memorável, conseguiu seu primeiro título mundial e Didi foi eleito o melhor jogador da competição (mesmo ao lado de Pelé, Garrincha e tantos outros craques), quando ganhou seu eterno apelido de “Mr. Football”. Em 1959, foi para o Real Madrid jogar ao lado de Puskas e Di Stefano (que terá um texto aqui na página muito em breve). Porém, o brasileiro não conseguiu apresentar o futebol que o consagrou. Várias histórias dão conta que Didi teria sofrido um boicote de Di Stefano, o líder da equipe. Em 1987, Didi disse em entrevista à Revista Placar que não foi bem no Real Madrid porque os europeus gostavam de jogadores que davam carrinhos e ele só saía de campo com o terno limpo. “Pra quê isso tudo, se eu chegava na frente e deixava os atacantes na cara do gol? Eles ficavam danados”, disse o craque. Em 1960, Didi voltou ao Botafogo, que se tornou o clube que o ‘Príncipe Etíope’ mais vestiu a camisa: 313 jogos, 114 gols, 3 títulos cariocas e 1 Rio-SP. Tornou-se uma lenda. Em 1962, mais estava por vir. O Brasil defendia o título da Copa do Mundo com mais uma legião de craques. Pelé, o maior deles, lesionou-se ainda na primeira partida e abriu a brecha para Didi e Garrincha desfilarem seu futebol entrosado do Botafogo e ganharem ainda mais destaque. A seleção brasileira conquistaria seu segundo título mundial, num torneio que ficou conhecido como “A Copa de Garrincha”. Depois do bicampeonato mundial, Didi, já com 33 anos, passou a trocar de clube constantemente, passando por Sporting Cristal (PER), Veracruz (MEX) e São Paulo, onde encerrou sua carreira em 1966. Mas Valdir não pararia por aí. Tornou-se técnico e fez a seleção peruana voltar a disputar uma Copa do Mundo em 1970, após 40 anos. Mas o Brasil estaria no meio do caminho do ‘folha seca’ e o Peru seria eliminado pela seleção canarinho nas quartas de final por 4x2. Didi também foi um dos técnicos do Fluminense na época em que o clube ficou conhecido como “A Máquina Tricolor”, em 1975 e 1976. Passou por inúmeros clubes, fez história em alguns, mas não conseguiu muitos títulos, mantendo sua carreira de treinador até 1990. No dia 12 de Maio de 2001, Didi faleceu no Rio de Janeiro após várias complicações provocadas por câncer. E, ainda assim, fica algo interessante: Valdir Pereira faleceu no Hospital Universitário Pedro Ernesto, que fica a poucos metros do Maracanã. Por que Didi jogava de terno? Didi é uma das maiores referências futebolísticas para os termos classe, elegância e maestria. Foi bicampeão mundial com a seleção brasileira, criou um estilo único de bater falta e era dono dos meio-campos por onde passou. Para muitos, só fica atrás de Pelé e Garrincha quando falamos de craques brasileiros. Didi, afinal, é o “Senhor Futebol”. 🚹 Valdir Pereira 👶 08 de Outubro de 1928, faleceu em 12 de Maio de 2001 (72 anos) 🏠 Brasileiro 👕 Americano, Lençoense, Madureira, Fluminense, Botafogo, Real Madrid (ESP), Sporting Cristal (PER), São Paulo, Veracruz e Seleção Brasileira 🏆 Copa Rio 52 (Fluminense); Taça dos Campeões Europeus (atual Liga dos Campeões da UEFA) 59/60, Troféu Ramón de Carranza 59 (Real Madrid); Copa do Mundo 58, Copa do Mundo 62 (Seleção Brasileira). 👑 Bola de Ouro da Copa do Mundo FIFA 58; All-Star Team - Craque do time das estrelas da Copa do Mundo FIFA 58; All-Star Team - Craque do time das estrelas da Copa do Mundo FIFA 62; 7º Maior jogador Brasileiro do século XX pela IFFHS 99; 19º Maior jogador do Mundo no século XX pela IFFHS 99; 100 Craques do Século - World Soccer 99; 25º Maior Jogador do século XX pelo Grande Júri FIFA 2000 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔👔👔 (9) #Fluminense #RealMadrid #CopadoMundo1962 #SeleçãoBrasileira #Botafogo #Meia #Brasil

  • Valdo: Disciplina e maestria

    Dia 19 de dezembro de 2004. O Botafogo entra em campo lutando contra o rebaixamento. E consegue. Empata por 1 a 1 com Atlético-PR em Curitiba e segue na elite do futebol brasileiro. Mas para um jogador, a carreira de atleta se encerra neste dia. Valdo, meia conhecido por sua disciplina tática e com experiência acumulada de grandes clubes e duas Copas do Mundo, se despediu dos gramados aos 40 anos. Valdo Cândido Filho nasceu em 1964 em Siderópolis (SC). Começou nas categorias de base do Figueirense, mas se tornou jogador profissional no Grêmio. Foi no Tricolor gaúcho que assinou o primeiro contrato, em 1984. Chegou a atuar na ponta-esquerda, mas se destacou mesmo como meia de criação. O bom desempenho de Valdo no Grêmio chamou a atenção do técnico da Seleção Brasileira , Telê Santana. Com 22 anos, ele foi convocado para a Copa do Mundo de 86, sendo reserva. Dois anos depois, ele deixou o país para vestir o terno do Benfica. E além do bicampeonato português, Valdo brilhou na Liga dos Campeões 89-90, quando o time português ficou com o segundo lugar. Em 89, foi um dos principais nomes no título brasileiro da Copa América. No ano seguinte, foi o responsável por organizar o meio-campo no então inovador esquema 3-5-2 na Copa do Mundo da Itália. Em 91, Valdo partiu para a França defender o PSG e por lá conquistou o Campeonato Francês duas vezes. Voltou ao Benfica em 95 e, dois anos depois, desembarcou no Nagoya Grampus. Então, ele viveu um dos momentos mais difíceis da vida. Em 97, a filha dele, Tathielle, então com 13 anos, faleceu após sofrer um acidente de carro no Brasil. Em entrevista ao UOL, Valdo disse que o futebol o ajudou a superar esse momento de tristeza. “Eu não quis ficar muito tempo sem jogar bola, pois jogando eu estava em outro mundo”, afirmou. Aos 34 anos, Valdo voltou ao Brasil e viveu uma grande fase no Cruzeiro . Passou ainda por Santos, Atlético-MG, Juventude e São Caetano antes de encerrar a carreira no Botafogo, em 2004. Depois de pendurar as chuteiras, tentou a carreira de treinador, mas hoje está no Congo, onde é uma espécie de caça talentos para fomentar o futebol local. Por que Valdo jogava de terno? Valdo era um jogador extremamente disciplinado e que todo treinador adorava, por cumprir a parte tática e técnica com maestria. Além disso, cuidava-se muito, tanto que, aos 34 anos, ainda jogava em alto nível e viveu um do melhores momentos da carreira com a camisa do Cruzeiro. Toda essa disciplina fez ele conseguir cumprir o seu papel até os 40 anos, quando se aposentou. 👤 Valdo Cândido de Oliveira Filho 👶 12 de janeiro de 1964 (54 anos) 🏠 Brasileiro 👕 Grêmio, Benfica (POR), PSG (FRA), Nagoya Grampus (JAP), Cruzeiro, Santos, Atlético-MG, Juventude, São Caetano, Botafogo e Seleção Brasileira 🏆 Campeonato Gaúcho 85, 86, 87 e 88 (Grêmio); Campeonato Português 88/89 e 90/91 e Taça de Portugal 95/96 (Benfica); Campeonato Francês 93/94 e Copa da França 92/93 e 94/95 (PSG); Recopa Sul-Americana 99, Campeonato Mineiro 98 e Copa Centro-Oeste 99 (Cruzeiro); Copa América 89 (Seleção Brasileira) 👑 Bola de Prata 88 Classômetro: 👔 👔 👔 👔 👔 👔 (6,9) 📷 Bob Thomas/Getty Images

  • Léo: O guerreiro da Vila Belmiro

    O Joga de Terno de hoje é um jogador que fez história com a camisa do Santos. O lateral Léo, que se destacou ao lado dos meninos da vila como Diego, Robinho, Elano, no título brasileiro em 2002. O lateral é o 10° jogador que mais atuou com o terno santista, com 455 jogos. Léo conquistou tudo que podia com a camisa do Santos. Em sua primeira passagem, foi bicampeão Brasileiro. O maior papa títulos da história do Santos na era pós Pelé, o lateral saiu do Peixe em 2005 rumo ao Benfica. Por lá, conquistou a torcida por sua raça e agilidade, e foi um dos destaques da campanha da Champions Legue 2006/07, quando o time chegou às quartas de final da competição. Em 2009, Léo retornou ao Santos e, com o terno do Peixe, jogou ao lado de mais uma grande geração que tinha Neymar, Robinho e Ganso como protagonistas. Em 2010, o Santos conquistou a Copa do Brasil com direito a várias goleadas, aquele futebol que fazia até o torcedor rival parar para assistir o Santos. Além da dinastia de títulos do Peixe no estadual, Léo que bateu na trave em 2003, se consagrou com o título da Libertadores da América em 2011, comandado por Muricy Ramalho. Logo após essa conquista, Léo, que era um jogador polêmico, soltou “vamos ver se o Barcelona é tudo isso…” O resto o torcedor se lembra bem... Jogador provocador, que inclusive falou também da invasão da torcida do Corinthians ao Aeroporto de Guarulhos, em 2012, às vésperas do mundial de clubes. Léo é a cara do Santos diante de tantos ídolos do clube da Vila Belmiro. Em 2014, o lateral de aposentou após não chegar a um acordo para renovar com o Peixe. Por que Léo jogava de terno? Léo era um jogador baixinho, de muita raça, vontade e agilidade. Jogador decisivo, em 2002 fez gols importantes pelo Brasileirão, principalmente, diante de rivais paulistas: São Paulo e Corinthians, nas quartas e na final do Campeonato Nacional. Era aquele cara que todo torcedor quer ter no seu time. O jogador que entrega a vida dentro das 4 linhas, briga e se dedica ao clube. 👤 Leonardo Lourenço Bastos 👶 6 de Julho de 1975 👕 Americano, União São João de Araras, Palmeiras, Santos, Benfica (POR) e Seleção Brasileira 🏆 (principais) Campeonato Brasileiro 02, 04, Copa do Brasil 10, Libertadores da América 11, Recopa Sul-americana 12, Campeonato Paulista 10, 11 e 12 (Santos) e Copa das confederações 05 (Seleção Brasileira) 👑 Bola de Pra 01, 03, 04, Melhor lateral-esquerdo da Liga Sagres 05/06, 06/07, 07/08, melhor lateral-esquerdo do Campeonato Paulista 10,11 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔(7) 📸 Ale Vianna/Getty Images #Santos #neymar

  • Fabrício Coloccini: O zagueiro dos caracóis mais famosos da Argentina

    O classudo de hoje é um zagueiro que estava na final da Copa América em 2004, quando Adriano fez o gol de empate contra a Argentina, e o Brasil levou o título diante do rival, nos pênaltis. Fabricio Coloccini era o camisa 22 da seleção e formava a linha defensiva ao lado de Heinze e Ayala. O jovem zagueiro chamava atenção com a sua vasta cabeleira. Revelado pelo Argentino Juniors, o zagueiro logo foi para o Boca Juniors. Na equipe Xeneize jogou pouco, mas mesmo assim conquistou seu primeiro título, o Campeonato Argentino de 1998 (Apertura). Na sequência foi defender o Milan, mas o clube italiano o emprestou para vários clubes: San Lorenzo, Alavés, Atlético de Madrid, Villarreal. Na sua terra natal, o zagueiro conquistou outra vez Campeonato Argentino (Clausura), pelo San Lorenzo. O jovem jogador fez parte da geração de ouro da base dos hermanos, que contava com grandes nomes do futebol mundial: Tevez, Mascherano, D’ Alessandro, Saviola, Lucho Gonzalez, entre outros. Ainda pela seleção de base, conquistou o título Mundial sub-20 em 2001 e também um ouro Olímpico, em Atenas, 2004. No mesmo ano, voltou à equipe de Milão, mas não teve oportunidades e, acertou com o Deportivo La Coruña. Pela equipe atuou por 4 anos até se transferir para o Newcastle, onde se tornou capitão e uma das referências do clube. Pelo time inglês fez história. Ajudou a equipe a voltar à elite do Campeonato Inglês na temporada 09/10. Foram 275 jogos e 7 gols com a camisa do Newcastle. Em 2016, após 8 anos, o jogador voltou ao San Lorenzo e este ano, inclusive, atuou na partida diante do Palmeiras. O clube argentino levou a melhor, vitória 1x0, pela Libertadores. Por que Coloccini jogava de terno? Fabrício Coloccini é um jogador que tem a tradicional raça argentina, jogador muito físico, joga duro, muito bom em jogadas aéreas e coberturas. Por ser um jogador veloz, possuir uma habilidade diferenciada para um zagueiro e bons lançamentos ele pode jogar também na lateral direita, sendo considerado um coringa por seus técnicos. 👤 Fabricio Coloccini 👶 22 de janeiro de 1982 🏠 Argentino 👕 Argentino Jrs (ARG), Boca Jrs (ARG), Milan (ITA), San Lorenzo (ARG), Alavés (ESP), Atlético de Madrid (ESP), Villarreal (ESP), Deportivo La Coruña (ESP), Newcastle (ING) e Seleção Argentina 🏆 (principais) Campeonato Argentino 98 (Boca Jrs), Campeonato Argentino 01 (San Lorenzo), Championship 09/10 (Newcastle), Copa do Mundo Sub-20 e Ouro nas Olimpíadas de Atenas 04 (Seleção Argentina) Classômetro: 👔👔👔👔 👔 (5.5) 📸 Serena Taylor/Getty Images

  • Cabanãs: Grandeza é não deixar se vencer por nada

    A festa já estava toda preparada. Era uma quarta-feira do dia 7 de maio de 2008. Mais de 50 mil flamenguistas coloriram o Maracanã de vermelho e preto para se despedir do então técnico Joel Santana, que aceitara comandar a seleção da África do Sul mirando a preparação pra Copa do Mundo de 2010 - A África do Sul era o país-sede e já tinha a vaga assegurada. "Papai" Joel havia deixado o Flamengo em uma situação confortável na Libertadores daquele ano, depois de voltar do México com uma vitória por 4x2 sobre o América nas ida das oitavas. Nem mesmo o mais pessimista dos torcedores poderia, no entanto, prever o que aconteceria no tapete verde do Maior do Mundo. Após o apito final, o Flamengo dava adeus à Libertadores da América. Esse dia histórico do Maracanã ficou marcado na memória do torcedor flamenguista - e também dos rivais - graças, sobretudo, a um homem. Salvador Cabañas Ortega. Apesar de ter ficado marcado no Brasil por conta desse jogo, o jogador de cabelo comprido e barriga um pouco avantajada, o "gordinho" Cabañas, como passou a ser chamado aqui, já era um jogador de destaque no Paraguai. Lá, jogou por 12 de Octobre, onde começou a carreira, e no Guarani. Também usou os ternos do Audax, do Chile, e Jaguares, do México, antes de chegar ao América, em 2006. Em 2008, depois se consagrar no Maracanã, ainda ajudaria sua equipe a eliminar outro brasileiro da disputa, o Santos, mas sucumbiu na semifinal diante da LDU, que seria a campeã do torneio. Foi o artilheiro da competição, ao lado de Marcelo Moreno, com 8 gols. Era constantemente convocado para a Seleção, já havia disputado a Copa do Mundo de 2006 e a Copa América de 2007. E era dado como nome certo para disputar também a Copa do Mundo de 2010, mas uma tragédia antecipou o fim do melhor momento da carreira do atacante. O dia 25 de janeiro de 2010 também marcaria sua carreira. Após uma suposta tentativa de assalto em uma casa noturna, Cabañas tomou um tiro na cabeça que o colocou entre a vida e a morte. E sobreviveu. O que poderia ter sido um desfecho trágico da carreira de um jogador se tornou um exemplo de superação. 1 ano e meio depois, retornou aos gramados em um jogo festivo entre América e Paraguai feito justamente para ele. Jogou por 20 minutos, um tempo em cada time, recebeu a braçadeira de capitão e uma placa com a frase que dá titulo a este texto. Mas Cabañas não era mais o mesmo. Ainda que estivesse mais magro e conseguisse jogar normalmente mesmo com a bala alojada na cabeça - os médicos acharam melhor não retirar a bala para evitar sequelas maiores - não chegou nem perto de ser o carrasco que o Brasil presenciou em 2008. Voltou a jogar no time que o revelou, o 12 de Octobre, e até mesmo no Tanabi, modesto time do interior paulista. Foi contratado para 3 jogos, mas atuou em apenas um e ainda perdeu um pênalti. "Não tenho mais condições de jogar futebol. Estou deixando os campos por não conseguir mais acompanhar o ritmo dos outros jogadores" disse o agora ex-jogador, em 2014. Por que Cabañas jogava de terno? Impressionou o futebol ao marcar duas vezes na vitória sobre o Flamengo em pleno Maracanã lotado e também o mundo todo ao vencer a luta pela vida. Na cabeça ainda estão as memórias daquele dia e a bala que quase o matou. Hoje, cobra na justiça parte do patrimônio adquirido como jogador que segundo ele, foi tomado pelo ex-empresário e ex-esposa. E ainda quer voltar à equipe do Paraguai, agora como técnico. Muitos duvidaram que ele seria capaz de fazer o que fez no Maracanã. E muitos duvidaram que ele conseguiria voltar a jogador futebol. Por que não acreditar nele agora? 👤 Salvador Cabañas Ortega 👶 5 de agosto de 1980 (36 anos) 🏠 Paraguaio 👕 12 de Octobre (PAR), Guarani (PAR), Audax (CHI), Jaguares (MEX), América (MEX), General Caballero (PAR), Tanabi-SP e Seleção Paraguaia. 🏆 (principais) InterLiga e Copa El Mexicano 08 (América) 👑 (principais) Artilheiro da Libertadores 07 (10 gols) e 08 (8 gols) Classômetro: 👔👔👔👔👔👔 (6,4)

  • Roger Flores é flagrado saindo do departamento médico

    Ao procurar as informações do personagem de hoje, você encontra notícias sobre a participação dele como jurado do Dança dos Famosos, como ex-namorado da atriz Déborah Secco e até naqueles sites de fofoca. De futebol mesmo, pouca coisa. Roger Flores ainda é assunto na mídia não apenas por ser ex-jogador mas também por ser comentarista da SporTV desde 2012. Só que essa regularidade na atual profissão foi algo que ele nunca conseguiu ter nos gramados. O agora Roger Flores começou apenas como Roger e a primeira vez que ele foi notícia foi vestindo o terno do Fluminense , onde iniciou a carreira, em 96. Enfrentando a pior fase de sua história, o tricolor chegou a disputar a série C em 99. Roger acompanhou todo esse processo e ajudou o Fluminense a ser campeão da terceira divisão. Em 2000, com o retorno à série A pela Copa João Havelange, Roger continuou se destacando no clube, chegando a ser um dos líderes da equipe. O Benfica se interessou e contratou o meia, mas não conseguiu se firmar. Voltou ao Fluminense por 2 vezes, por empréstimo, antes de ser negociado ao Corinthians , em 2005. Ali, Roger conquistou o único grande título da carreira, o Campeonato Brasileiro de 2005, beneficiado pelo fortíssimo elenco montado para aquele ano que chegou a contar com Carlitos Tevez, Mascherano e Nilmar. Depois, passou por diversos clubes sem se fixar em nenhum deles, prejudicado pelas diversas lesões na carreira. E não apenas por isso, na curta passagem dele pelo Flamengo, em 2007, o então técnico Joel Santana barrou o jogador pela má forma física. Essa "fama" também perseguiu o jogador em outros clubes. Para muitos torcedores e até alguns jogadores, Roger era conhecido como "chinelinho", aquele que não gosta de treinar . Encerrou a carreira em 2012, depois de duas temporadas no Cruzeiro e as frequentes visitas ao departamento médico. Por que Roger Flores jogava de terno? Dizer que ele, na verdade, jogava de chinelo, pode ser bem ofensivo para o jogador, já que nenhum atleta gosta de ser chamado de "chinelinho". Terno mesmo ele usa como comentarista da SporTV, onde tem relativo sucesso, mas em campo Roger poderia ter sido muito mais do que foi, não à toa ele jogou em vários dos principais clubes do país. Seu início no Fluminense demonstrava um enorme potencial com o domínio de bola, passes precisos e muitos gols. Mas as lesões e falta de treinos não permitiram que Roger pudesse ter uma nota maior que a determinada pela nossa equipe no Classômetro. 👤 Roger Flores 👶 17 de agosto de 1978 (37 anos) 🏠 Brasileiro 👕 Fluminense, Benfica (POR), Corinthians, Flamengo, Grêmio, Qatar S.C (QAT), Al-Sailiya (QAT), Cruzeiro e Seleção Brasileira. 🏆 (Títulos principais) Campeonato Brasileiro - Série C: 99 (Fluminense), Taça de Portugal: 03/04 (Benfica), Campeonato Brasileiro: 05 (Corinthians) 👑 Bola de Prata (Placar): 01, Melhor Meia-esquerda do Campeonato Brasileiro 01 (Prêmio Revista Placar), Melhor Meia-esquerda do Campeonato Brasileiro de 2005 (Prêmio Craque do Brasileirão) Classômetro: 👔👔👔👔👔 (5,7)

  • Solskjaer: O talismã norueguês

    Muitos dos grandes craques relembrados pelo JdT foram titulares absolutos em suas respectivas equipes, independente da posição que ocupavam. Mas o classudo de hoje, na maioria dos jogos, saiu do banco para anotar gols históricos e importantes, que marcaram a sua carreira e se confundem com a trajetória vitoriosa do Manchester United. Neste sábado, quem pisa no nosso tapete verde é o atacante norueguês Ole Gunnar Solskjaer. O talismã do time inglês, especialista em tiros certeiros, chegou ao Manchester United em 1996. Iniciou a carreira no norueguês Clausenengen, onde atuou por quatro temporadas, mas foi no Molde, clube da série A do campeonato nacional, que o atacante se destacou e que chamou a atenção do técnico Alex Ferguson. Os Red Devils o contrataram por cerca de 2,5 milhões de euros e logo na primeira temporada na Premier League Solskjaer marcou 18 gols. Na terra da rainha o atacante se consagrou como o reserva de confiança de Ferguson. Entrava na maioria dos jogos e marcava gols decisivos, principalmente nos momentos mais importantes. Um dos seus tentos mais lembrados é, sem dúvidas, o gol do título na final da Liga dos Campeões de 1999, contra o Bayern de Munique. Solskjaer tocou com a pontinha da chuteira, já nos acréscimos, vencendo o goleiro Oliver Kahn. Naquele ano o Manchester United conquistou a tríplice coroa. O classudo também é lembrado por ter marcado quatro gols em 12 minutos, quando entrou como substituto no segundo tempo da partida contra o Nottingham Forest, pela Premier League, fechando uma goleada histórica por 8x1 fora de casa. Solskjaer estreou na Seleção Norueguesa em 1995, contra a Jamaica. Ao todo participou de 64 partidas e marcou 23 gols. O atacante disputou a Copa do Mundo de 1998 e também a Eurocopa de 2000 e, inclusive, esteve em campo em um dos jogos mais brilhantes de sua seleção, quando a Noruega venceu o Brasil de virada, por 2x1, na primeira fase do mundial de 1998, na França. O camisa vinte do Manchester United pendurou as chuteiras em 2007, aos 34 anos, devido às sucessivas contusões que o perseguiram a partir de 2004. Era o fim de uma trajetória vitoriosa de 21 anos com o terno dos Red Devils dentro dos gramados. Mas do lado de fora, Solskjaer continuou sua carreira no Manchester United, dessa vez como treinador. Em 2008 ele foi anunciado como o comandante das categorias de base do clube inglês. Já em 2011 assumiu a equipe principal do Molde, time que o revelou. Teve uma boa passagem por lá, conquistando duas vezes a primeira divisão do país e uma vez a Copa da Noruega. Em 2014 voltou para a Inglaterra para treinar o Cardiff City, equipe onde não foi tão bem-sucedido. Por que Solskjaer jogava de terno? Com uma feição aparentemente inofensiva, mas com um espírito matador dentro da área, Solskjaer era chamado de “assassino com cara de bebê” pela torcida do Manchester United. Mas mais que um atacante excelente em seu ofício, em campo o norueguês se tornou um símbolo do espírito de nunca desistir, marcando gols e conquistando troféus mesmo quando eles pareciam perdidos. O classudo balançou as redes 126 vezes em 366 oportunidades, acumulando 14 títulos e diversos momentos inesquecíveis. 👤 Ole Gunnar Solskjaer 👶 26 de fevereiro de 1973 🏠 Norueguês 👕 Clausenengen (NOR), Molde (NOR), Manchester United (ING) e Seleção Norueguesa 🏆 (principais) Campeonato Inglês 96/97, 98/99, 99/00, 00/01, 02/03 e 06/07, Liga dos Campeões 99, Mundial de Clubes 99 (Manchester United) 👑 Sem títulos individuais de destaque Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7) 📷 Getty Images Sport

  • Xerife Chicão

    O classudo de hoje é um zagueiro que era decisivo também no ataque. Anderson Sebastião Cardoso, ou simplesmente Chicão, não era apenas um jogador importante só por ser um Xerife na zaga. Faltas e pênaltis eram com ele. Após se destacar em 2007 no Figueirense sendo o artilheiro da equipe, o zagueiro foi para o Corinthians, onde desfilou com o termo alvinegro por 5 temporadas e se tornou o segundo maior zagueiro artilheiro da história do clube, com 42 gols. Chicão chegou justamente após o time do Parque São Jorge cair para a segunda divisão e ajudou a equipe a reerguer. Símbolo de raça e determinação, viveu os piores dias do alvinegro e chegou até o céu com a conquista da Libertadores e do Mundial em 2012 e se tornou um dos jogadores mais importantes da década do clube. Em 2013, foi liberado de graça para o Flamengo, fez gol na estreia e também foi campeão, mas longe de repetir o sucesso de outrora. C3 ainda passou pelo Bahia e pelo Delhi Dynamos antes de se aposentar em 2016. Por que Chicão jogava de terno? Chicão sempre foi um zagueiro muito seguro, com 1,80m não era um jogador que se destacava em bolas altas, mas ao lado de William, fez uma dupla vencedora. Além da sua grande eficiência em cobranças de falta e pênaltis. Aquele jogador que a torcida sente falta por sua liderança e confiança dentro e fora de campo. 👤 Anderson Sebastião Cardoso 👶 3 de Junho de 1981 🏠 Brasileiro 👕 Mogi Mirim, Portuguesa Santista, América, Juventude, Figueirense, Corinthians, Flamengo, Bahia e Delhi Dynamos (IND) 🏆 Série B 08, Paulista 09 e 13, Copa do Brasil 09, Brasileiro 11, Libertadores 12, Mundial 12, (Corinthians); Copa do Brasil 13 (Flamengo). 👑 Bola de Prata 10 Classômetro: 👔 👔 👔 👔 👔 👔 (6,6) 📸 Daniel Augusto Jr/Fotoarena/AE

  • Birgit Prinz: uma colecionadora de títulos

    Ainda que Mia Hamm ou Marta tenham seus nomes lembrados primeiro quando se fala em futebol feminino, a trajetória da classuda de hoje, Birgit Prinz, foi essencial para o fortalecimento da modalidade no contexto internacional e sobretudo na Alemanha. Birgit estreou pela seleção alemã aos 16 anos em 1994. Foi o seu gol aos 44 minutos do segundo tempo que concedeu a vitória do amistoso contra o Canadá. E sua estrela também brilhou durante sua primeira participação em competição oficial, na Eurocopa. Não foi titular na etapa classificatória e nem ao longo da temporada, mas deixou sua marca na semifinal e final ajudando a equipe alemã na conquista do título europeu, levando um título aos 17 anos. E, com seu futebol regular e consistente, não parou mais de brilhar: pelo FFC Frankfurt soma nove títulos do Campeonato Alemão e dez da Copa Alemanha. Na seleção do país contabilizou 214 jogos oficiais e 128 gols. A capitã da equipe foi eleita a melhor jogadora do mundo por três vezes pela FIFA e coleciona duas Copas do Mundo e cinco Eurocopas. Ficou faltando uma medalha de ouro dos Jogos Olímpicos antes de se aposentar, mas nada mal quando se coloca três de bronze ao lado das outras conquistas, não é mesmo? Por que Birgit Prinz jogava de terno? Birgit Prinz é mais técnica e força que habilidade, e é também uma lenda no futebol feminino. Não é para menos, com uma história de tantas conquistas e gols decisivos, a jogadora é uma das responsáveis por tornar a Alemanha uma das potências do esporte que é hoje. 👤 Birgit Prinz 👶 25 de outubro de 1977 🏠 Alemã 👕 FSV Frankfurt, FFC Frankfurt, Carolina Courage e Seleção Alemã 🏆 Campeonato Alemão 99, 01, 02, 03, 05 e 07; Copa da Alemanha 99-03 e 07-08; Copa da Uefa Feminina 01/02, 05/06 e 07/08 (FFC Frankfurt); Eurocopa Feminina 95, 97, 01, 05 e 09; Copa do Mundo Feminina 03 e 07 (Seleçã0) . 👑 Melhor jogadora FIFA 03,04 e 05; Artilharia Copa do Mundo 03 (7 gols). Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔👔 (8,4) 📸 Andreas Rentz

  • Dick, Kerr Ladies: o badalado time de operárias

    Em 1914 estourava a Primeira Guerra Mundial, um evento que impactaria o mundo em diversos níveis. Um deles é o futebol, mais especificamente o futebol feminino. E não há como falar da história do futebol feminino sem lembrar daquele time Dick, Kerr Ladies. Com a convocação e a morte de muitos homens na chamada guerra moderna, as mulheres da Inglaterra acabaram por ocupar diversos postos na sociedade, atuando como um exército oculto e mantendo o funcionamento do país. Muitas delas trabalharam em indústrias de munições, as chamadas "munitionettes". O esporte era incentivado pelo governo como forma de promoção do bem estar das mulheres trabalhadoras e quase todas as fábricas do Reino Unido envolvidas em trabalhos de guerra tinha uma equipe feminina de futebol. E foi da Dick, Kerr & Co. que surgiu o esquadrão de maior sucesso dos primórdios do futebol feminino. Depois de vencer uma equipe masculina da fábrica, Dick, Kerr Ladies passou a realizar partidas beneficentes e, no natal de 1927, mais de 10 mil pessoas presenciaram a primeira a vitória sobre Arundel Coulthard Factory. Dali, as operárias só encontrariam mais sucesso: o recorde de público viria em 1920 com registro de 53 mil espectadores e mais 14 mil esperando do lado de fora. A estrela do time era Lilly Parr , uma jogadora de muita força, capacidade técnica e potência no chute. Ela atuou na equipe dos 14 aos 45 anos e foi a primeira mulher a ser expulsa de uma partida de futebol. Ela era uma das responsáveis pela popularidade do time que, em 1921, registrava média de dois jogos por semana e foram vistas pro quase 900 mil pessoas no país. Mas foi também neste ano que o futebol feminino sofrer um baque ao ser proibido na Inglaterra. Com o fim da guerra, as mulheres começaram a deixar seus postos de trabalho e foram desencorajadas a trabalhar ou praticar esportes, devendo ocupar de volta o ambientes dos lares ou outros que eram destinados a elas na época. O futebol passou a ser considerado inadequado e a Associação de Futebol recomendou que os clubes proibissem as mulheres de utilizar os estádios. A solução encontrada pela equipe foi viajar para disputar partidas, virando sensação também nos Estados Unidos e Escócia. Com a diminuição da popularidade devido à restrição que durou 50 anos, o time acabou sendo desfeito em 1965, mas não sem ter marcado para sempre a história futebol feminino. Em 2017, a equipe lendária teve um memorial erguido em comemoração ao centenário de sua primeira partida Preston North End. 🏆 Sem premiações 👔 Time base: Annie Hastie, Florrie Redfford, Alice Kell, Florie Rance, Alice Mills, Jessie Walmsey, Jennie Harris, Alice Woods, Alice Norris, Molly Walker e Lily Parr. Tec. Alfred Frankland 👤 Principais classudas: Florrie Redfford, Lily Parr, Jennie Harris, Alice Kell, Jessie Walmsey 📺 Jogos relevantes: Dick, Kerr Ladies 4 x 0 Arundel Coulthard Factory (25/12/1917), Dick Kerr Ladies 2 x 0 St Helen’s Ladies (26/12/1920) ⚽️ 43 gols de Lily Parr na primeira temporada 📸 Bob Thomas/ Getty

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