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  • Uma canhota, muitos quilates

    Imaginem uma calçada da fama do futebol, igual àquela de Hollywood. Nessa calçada estariam os maiores classudos, aqueles que desfilaram com o fino da bola. Nela existiriam pés de todos os tipos, de todos os lados, de todas as classes. Mas um pé, um esquerdo especificamente, teria sua forma banhada a ouro. Por se tratar de um dos maiores gênios que desfilaram nos tapetes verdes do Brasil. Por se tratar de Gérson, o CANHOTINHA DE OURO. O apelido não é por acaso. Durante seu auge, era característica sua um passe primoroso e um chute certeiro sempre com o pé esquerdo. Antes de alcançar a alcunha e a fama, Gérson brilhou como a pedra que o identificaria, e com apenas um ano de profissional fora convocado à seleção canarinho, para as olimpíadas de Roma, em 60. Gérson desfilava no Flamengo, time que o lançou. E parece que o jogador gostava de ternos pesados: depois de passar por Flamengo, foi jogar no Botafogo. Depois, ainda vestiu o tricolor paulista para ainda, vestir a tricolor carioca. E por onde passou, Gérson virou ídolo. Ídolo que começou questionável. Gérson, apesar de precoce na seleção, nunca foi uma unanimidade no início. Sua primeira Copa foi a da pavorosa campanha de 66. Entrou em apenas um jogo, aquele que o Brasil perdeu pro gigante Eusébio e seu esquadrão lusitano. O meia ainda seria acusado de não ter o espírito da seleção e de ser covarde. Pesado pra alguém como Gérson. No Flamengo, sua passagem foi marcada pela vitoriosa campanha do Rio-São Paulo de 61. Com seis gols, Gérson foi das principais peças do time. Em 62, o rubro-negro era favorito à taça estadual, quando enfrentou o Botafogo na decisão. O Fla precisava de um empate e o técnico Flávio Costa escalou o Canhotinha para ajudar Jordan na marcação do principal jogador alvinegro. Bom, segundo Gérson, um tempo depois, “nem o time inteiro na lateral pararia aquele ponta esquerda botafoguense”. O ponta era um certo Manuel: Garrincha, que anotou os três tentos botafoguenses no maraca naquela final. Um ano depois, Gérson vestiria o mesmo terno do Mané e foi um dos principais nomes do time naquela nova era Botafoguense, com títulos da RJ-SP de 64 e 66, o bi carioca de 67 e 68 e a Taça Brasil de 68. Estes últimos títulos foram o suficiente para o Canhota elevar seu moral e voltar a Seleção para Copa de 70 e ser um dos astros daquele “esquadrão de ouro”. Contra a Tchecoslováquia, na estreia, os três últimos gols foram lançados por ele, dando a entender que qualquer ataque passaria por seus pés. Contudo, Gérson parecia fadado a uma triste sequência naquela copa: sofreu uma lesão e desfalcou o Brasil contra Inglaterra e Romênia. Porém, voltou contra o Peru, nas quartas e foi novamente fundamental. Foi o cérebro daquele time e um dos grandes responsáveis pelo tri. De volta ao Brasil, com a Jules Rimet na bagagem, o Canhota voltou suas atenções ao São Paulo, time que defendia desde 69. Junto a outros astros como Pablo Forlán, Roberto Dias, Toninho Guerreiro e Pedro Rocha, o Tricolor Paulista foi um dos principais times daquele início da década de 70, com um bi campeonato estadual (70-71) e uma campanha de respeito no primeiro Campeonato Brasileiro da história, até então, só parado pelo Atlético Mineiro, que seria o campeão. Em 72, Gérson, pensando na aposentadoria, escolheu jogar no Fluminense, seu time de coração. Diz a lenda que Gérson pendurou a chuteira quando o técnico tricolor Duque chamaria o meia num canto pra lhe ensinar uma maneira melhor de chutar na bola. Duque nunca fora um bom jogador antes de ser técnico e aquilo soou como uma heresia para o Canhota que preferiu a aposentadoria ao ensinamento do técnico. Por que jogava de terno? Gérson dispensa apresentações, mas vamos lá: capaz de passes de 40 metros com olhos fechados, um chute absurdo com essa canhota fabulosa, uma visão de jogo incomum para sua época. Foi também temperamental e de certa forma ríspido em alguns lances: coleciona pelo menos três pernas quebradas de adversários. Mas Gérson foi um gigante. Gérson é um gigante e sua esquerda, banhada a ouro, seria uma das mais visitadas naquela calçada imaginada lá no início. 🚹 Gérson de Oliveira Nunes 👶 11 de janeiro de 1941 (75 anos) 🏠 Brasileiro 👕 Flamengo, Botafogo, São Paulo, Fluminense e Seleção Brasileira 🏆 (Principais) Campeonato Carioca: 63 (Flamengo), 67 e 68 (Botafogo), 73 (Fluminense), Campeonato Paulista: 70 e 71 (São Paulo), Campeonato Brasileiro: 68 (Botafogo), Copa do Mundo FIFA: 70 (Seleção Brasileira). 👑 Bola de Prata da Copa do Mundo da FIFA: 70, Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 70, eleito um dos 100 Melhores Jogadores do Século XX pela revista World Soccer: 99, eleito o 38º Melhor Jogador do Século XX pela revista Placar: 99, eleito o 15º Melhor Jogador da história das Copas pela revista Placar: 06, eleito para o Time dos Sonhos do Botafogo e Fluminense pela revista Placar: 06 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔👔 (8,3) #Flamengo #Botafogo #SãoPaulo #Fluminense #SeleçãoBrasileira #CopadoMundo1970 #Meia

  • O lendário atacante dos Blues e dos leões

    O classudo que nos lê, sabe por onde anda Didier Drogba? Não? Então o JdT pode te ajudar. O atacante está jogando na Major League Soccer, a liga americana de "soccer". E no último fim de semana fez três gols na goleada do seu time, Montreal Impact, sobre Philadelphia Union. Drogba nasceu na Costa do Marfim, porém aos 5 anos já morava na França. Começou sua trajetória depois de 10 anos estabelecido no país, na Academia de Futebol Leallois aos 15 anos. Sua primeira função em campo? A lateral-direita. O jovem Didier rodou por times franceses de menor expressão, até chegar no Olympique de Marseille na temporada 03/04. Logo em seu primeiro ano de clube, o marfinense fez 30 gols e chamou a atenção do Chelsea. Com o terno dos Blues, Drogba tornou-se uma lenda. Sempre com gols decisivos, fez parte do escrete bicampeão da Premiere League e mais tarde da Champions League. Sem contar as várias copas. Quis o destino que em sua primeira despedida do Chelsea, ele fosse o autor do gol de empate no jogo contra o Bayern Munich. Levou o jogo aos pênaltis e foi ele quem converteu aquele que deu o título. É uma lenda não só no Chelsea, mas também no seu país. Por muitos anos foi o principal jogador de Costa do Marfim. Participou das Copas do Mundo de 06, 10 e 14. Em 104 partidas pelos leões, fez 65 gols. Aposentou-se da seleção com dois vices da Copa Africana de Nações. Depois de se despedir do Chelsea em 2012, desfilou seu futebol pelos tapetes verdes da China, no Shangai Shenhua, e da Turquia, no Galatasaray. Mas o coração de Drogba batia mais forte pelo Chelsea, já que na temporada de 14/15 foi chamado por José Mourinho para voltar a atuar com o terno de número 11 dos Blues. No total fora 381 jogos pelo time de Stamford Bridge, marcando 157 gols. Aos 38 anos, Didier Drogba é uma referência de atacante no mundo. Foi um dos principais atletas da época de ouro do Chelsea. Importante também para a consolidação do futebol de Costa do Marfim e, por que não, do continente africano. É daqueles jogadores que a história nunca se esquecerá. Por que joga de terno? Porque é sempre decisivo. Pelo Chelsea marcou gols importantes em várias finais. É ícone do futebol africano e honrou seu país, mesmo morando desde muito cedo na França. Atacante de força física, velocidade e precisão nos arremates, mantém o bom futebol até agora, próximo do fim da carreira. 👤 Didier Yves Drogba Tébily 👶 11 de março de 1978 🏠 Marfinense 👕 Le Mans, Guingamp, Olympique de Marselha, Chelsea, Shengai Shenhua, Galatasaray, Montreal Impact, Seleção de Costa do Marfim. 🏆 Campeonato Inglês 04/05, 05/06, 09/10, 14/15; FA Cup 06/07, 08/09, 09/10, 11/12; Football League Cup 04/05, 06/07, 14/15, Champions League 11/12 (Chelsea); Campeonato Turco 12/13 e Supercopa da Turquia 13 (Galatasaray). 👑 Melhor jogador do Campeonato Francês 04; Artilheiro da Premiere League 06/07 e 09/10, Seleção da Fifa 04; Chuteira de Ouro 13; Futebolista Africano do ano 06 e 09. Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7,2) #Chelsea #Galatasaray #SeleçãoMarfinense #CopadoMundo2006 #CopadoMundo2010 #Atacante

  • O número 1 de 1970

    Ídolo da Portuguesa e Fluminense, o goleiro campeão do mundo em 1970 começou sua carreira no Moleque Travesso. Conhecido como Papel por sua leveza, Félix é o homenageado de hoje do Joga de Terno. Surgiu no Juventus da Mooca, foi a Portuguesa, e lá viveu ao lado de grandes nomes como Ivair (o princípe) uma geração de ouro na equipe. Se tornou um nome de destaque no futebol paulista e foi convocado por quatro vezes para a seleção brasileira. Em 1968 chegou ao Fluminense, onde ficaria até 76. No Rio de Janeiro foi referência aos jovens goleiros pela sua experiência. Uma de suas defesas mais espetaculares se deu diante 109.705 pessoas, onde Nílson Dias jogador do Botafogo matou a bola no peito na meia-lua da grande área, e de costas para o gol, deu uma bicicleta, com Félix saltando do meio do gol e encaixando a bola no ângulo direito. Depois começou a frequentar a seleção em mais oportunidades, até ser convocado definitivamente para a Copa de 70. Félix apesar de ter ganho a Copa de 1970 sem nenhuma atuação que seja contestável, sempre foi julgado pela mídia brasileira em geral como goleiro mediano. Zagalo treinador da seleção na época, tinha como opções no banco Ado e Leão. Félix foi escolhido por sua experiência. "Pelo menos quando eu morrer que parem de dizer que o Brasil ganhou a Copa de 70 apesar do Félix. O Barbosa foi crucificado por não ter ganho a Copa de 50 e eu por ter ganho a Copa de 70. Duas grandes injustiças!" Por que jogava de terno? Leve, rápido e seguro. Félix dificilmente soltava uma bola, principalmente em campo seco. Jogou sem luva durante boa parte de sua carreira. Se destacou pela sua impulsão nas defesas e recolocação de bola rápida em jogo. 👤 Félix Miéli Venerando 👶 24 de dezembro de 1937 🏠 Brasileiro 👕 Juventus, Portuguesa, Nacional-SP, Portuguesa, Fluminense e Seleção Brasileira 🏆 Campeonato Carioca 69, 71, 73, 75 e 76, Taça de Prata 70 (Fluminense) Copa do Mundo de 70 (Seleção Brasileira) 👑 Prêmio Belfort Duarte 70 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7) #Portuguesa #Fluminense #SeleçãoBrasileira #CopadoMundo1970 #Brasil #Goleiro

  • Appiah e mais dez

    Por muito tempo a escalação da seleção de Gana era definida por Appiah, capitão da equipe nas copas de 2006 e 2010, e mais dez. Ele também era o camisa 10 em algumas oportunidades na equipe nacional. Appiah viveu quase toda sua carreira na Itália, dos nove clubes que ele defendeu apenas três não eram italianos. Começou no Hearts of Oak, clube de sua cidade natal e um dos maiores do futebol ganês. Na Itália sua primeira equipe foi a Udinese onde ele começou a atuar como atacante, mas logo foi sendo recuado até que conseguisse destaque com grandes atuações como meia/volante. Uma boa passagem pelo Parma fez com que a Juventus fosse atrás dos seus serviços. Em Julho de 2005 ele acertou sua ida para o Fenerbahçe. Logo caiu nas graças da torcida, e foi um dos destaques do time no título do Campeonato Turco no ano do centenário do clube em 2007. Em 2008 voltou para a Itália onde ficou até em 2011, mas ainda não era o fim de sua carreira, que ainda reservou uma passagem pelo FK Vojvodina da Sérvia, onde enfim, encerrara sua carreira. Pela seleção de Gana ele sempre foi um dos principais nomes. Na base conquistou um Mundial Sub-17 em 1995. E na principal era um dos pilares da equipe. Em 2010 após a copa anunciou sua aposentadoria da seleção. Mas não acabaria ali sua participação. Na última Copa em 2014 ele veio como assistente técnico. Por que jogava de terno? Appiah conseguia unir talento e força, do mesmo modo que ele era forte na marcação tinha a mesma qualidade para chegar à frente e colocar os seus companheiros em boas oportunidades. Bom passe e boa visão de jogo, agressividade nos desarmes e força física faziam com que ele atuasse bem e com naturalidade em qualquer posição no meio de campo. 👤 Stephen Leroy Appiah 👶 24 de Dezembro de 1980 (35 anos) 🏠 Ganês 👕 Hearts of Oak, Udinese, Parma, Brescia, Juventus, Fenerbahçe, Bologna, Cesena, FK Vojvodina e Seleção Ganesa 🏆 Copa da Itália 02 (Parma), Campeonato Turco 07 (Fenerbahçe), Mundial Sub-17 95 (Gana) 👑 Futebolista do Ano de Gana 05 e 07; Futebolista do Ano na Turquia 07 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔 (6) #Udinese #Juventus #Fenerbahçe #SeleçãoGanesa #CopadoMundo2010 #CopadoMundo2014 #Volante

  • Gol de quem?

    Estádio Monumental de Nuñez, Argentina, 22 de julho 1998. O time do Vasco da Gama disputava contra o River Plate uma vaga para a final da Taça Libertadores da América. Aos 37 minutos do segundo tempo, a falta de longe e um gol que só poderia merecer o nome do estádio: monumental. O JdT abre espaço para o dono do feito: Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior, o Juninho Pernambucano, ou só Juninho. O meia foi revelado pelas categorias de base do Sport Club do Recife e, já no seu segundo ano como profissional, fez parte da Geração de Ouro do clube, ajudando na conquista do título estadual e da Copa Nordeste. De lá, foi para o Vasco, onde protagonizou diversos momentos que o tornaram ídolo no clube. O jogador era peça importante no Esquadrão Imortal Vascaíno que, nos anos de 97 e 98, conquistou um disputado Campeonato Brasileiro, um estadual e a Taça Libertadores da América no centenário do clube. O Mundial daquele ano não veio, mas Juninho já caía nas graças da torcida por toda sua habilidade e principalmente técnica e precisão nas cobranças de faltas. Mas o Reizinho da Colina foi conquistar outros reinados. Após uma saída conturbada com direito a briga judicial, chegou no Olimpique de Lyon em 2001. E lá também se tornou ídolo, tornando-se o artilheiro da temporada 2002/03 com 13 gols e fazendo parte de todas as campanhas que levou o clube ao heptacampeonato francês. “Quando fui jogar na França, no Brasil só se conhecia o Paris Saint-Germain e Olympique de Marselha. Ninguém nem conhecia outro clube.” Ajudando a colocar o nome do Lyon no cenário internacional, Juninho também cravou o seu. Foi considerado pela revista France Football o terceiro maior estrangeiro a atuar na França; em seu livro How to Score: Science and Beautiful game, o físico Ken Bray elegeu o meia como o melhor batedor de faltas da história; fora os destaques e prêmios individuais. Não é para menos, oito anos atuando pelo Lyon, marcou cem gols em 344 partidas. Também marcou sete gols em 43 partidas pela seleção brasileira até encerrar a carreira com a camisa canarinho, após a Copa do Mundo de 2006. Antes disso, em 1999, tornou-se o primeiro jogador da história a disputar duas partidas em países diferentes no mesmo dia quando, após jogar o segundo tempo de Brasil x Argentina em Porto Alegre, embarcou para Montevidéu e conseguiu chegar ao Urugai a tempo de entrar também no segundo tempo da partida do Vasco contra o Nacional, pela Copa Mercosul. Após deixar o Lyon, Juninho foi para o clube do Qatar Al-Gharafa, onde também não passou desapercebido e foi eleito o melhor jogador do país. Em 2011, o ídolo retornou para seus súditos na Colina com a pretensão de encerrar sua carreira no Vasco, sendo essencial na melhor campanha do clube na história dos pontos corridos conquistando o segundo lugar do Campeonato. Mas complicações e desastres na administração e oposição acabaram levando o jogador para o New York Red Bulls, nos Estados Unidos. Após sete meses, o meia voltou e em 2014, perto de completar 400 jogos com a camisa do Vasco, clube que mais defendeu em campo (ao todo foram 393 partidas, com 76 gols), encerrou sua vitoriosa carreira. Por que jogava de terno? Habilidade, técnica e precisão fizeram do Juninho um dos melhores batedores de falta da história do futebol. Chamar a responsabilidade, ter atitude e posicionamento em campo, além do amor à camisa, fizeram dele ídolo. Rei que é rei tem que ter classe! 👤 Antônio Augusto Ribeiro Reis Júnior 👶 30 de janeiro de 1975 (41 anos) 🏠 Brasileiro 👕 Sport, Vasco da Gama, Lyon, Al-Gharafa, New York Red Bulls e Seleção Brasileira. 🏆 Copa Nordeste 94 (Sport); Campeonatos Brasileiro 97 e 00, Libertadores da América 98, Torneiro Rio-São Paulo 99, Mercosul 00 (Vasco); Campeonato Francês 02, 03, 04, 05, 06, 07 e 08, Copa da França 08 (Lyon); Qatari Stars Cup 10, Liga do Qatar 10, Qatar Crown Prince Cup 10 e 11 (Al-Gharafa); Copa das Confederações 05 (Seleção). 👑 Seleção do Campeonato Francês 04, 05 e 06 (Melhor centrocampista da França), Melhor Jogador da História do Lyon – Eurosport, Líder de assistência - Champions League 07. Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔👔 (8) #Vasco #Sport #Lyon #SeleçãoBrasileira #CopadoMundo2006 #Brasil #Meia

  • Um lendário Leão

    Hoje, mais uma vez, o JdT vai falar de um classudo que muitos amam e outros tantos odeiam. Polêmico, agressivo e não faz questão de agradar ninguém. Emerson Leão talvez seja seu inimigo e você nem saiba. Fato é que Leão desfilou com alto estilo pelos tapetes verdes do Brasil. E ele sabia disso: em 69, aos 19 anos, recém contratado pelo Palmeiras, chegou botando banca e pedindo o mesmo salário das principais peças do elenco. E não demorou para Leão mostrar serviço e se fazer merecedor. Assumiu a posição de arqueiro quando Chicão se lesionou e teve a oportunidade de formar uma poderosa defesa no Palestra junto a Eurico, Luis Pereira, Alfredo e Zeca. Precoce também foi sua convocação para aquela copa de 70. Aos 20 anos assumia uma das suplências de Félix naquele esquadrão. Os primeiros anos da década de 70 serviram tanto para firmar o goleiro na seleção como na idolatria dos torcedores palmeirenses. Até 78 foram três estaduais e três brasileiros vestindo o terno do verdão. Em 78 foi pro Vasco, ficou dois anos e, depois, vestiu o terno tricolor gaúcho. No grêmio, mais uma vez, foi campeão brasileiro, em 81. Estava em seu auge em 82 e preparado para ir à copa, quando Telê não o chamou. Para muitos, era o melhor goleiro brasileiro naquele ano. No ano seguinte, foi sugerido pela “democracia corintiana” a assumir a meta do timão. A diretoria acatou, mas sempre foi pública a inimizade de Leão com Casagrande, Wladimir e sobretudo, Sócrates, que a certa altura confirmou: "Eu apoiei a contratação do Leão na época, pois achava um grande goleiro. Mas nunca gostei dele como pessoa". A passagem do goleiro pelo Corinthians ficou marcada pela final do paulista de 83, quando fez uma defesa que ainda está viva na memória do fã de futebol, num espetacular chute de Marcão, do São Paulo. Leão seguiu em alto nível até 86, quando fora a sua última copa. Em 87, ainda jogando, assumiu seu primeiro time como técnico, o Sport Recife, que ganharia aquele polêmico título brasileiro, dado a CBF ao time pernambucano. Como técnico, Leão tem um extenso currículo, cheio de glórias e polêmicas. Dentre as quais se destacam a própria conquista de 87 pelo Sport e a campanha santista de 2002. Em 2005, bate de frente com Tevez e Mascherano, no Corinthians. Foi acumulando polêmicas, já vindas do Palmeiras de 89 com Neto. Anos mais tarde, foi no São Paulo, envolvendo o astro do futsal Falcão: o técnico foi acusado de “queimá-lo” em campo. Também no São Paulo, se envolveu em briga com Juvenal Juvêncio, quando (em 2011/2012) Leão teria recomendado JJ a seguir os passos do Papa Bento XVI e “renunciar seu cargo por causa da idade”. Juvenal respondeu “Leão precisa arrumar um emprego.” Foi o último cargo de peso que assumiu. Por que jogava de terno? Leão é o segundo jogador que mais vestiu o terno do Palmeiras, atrás apenas do “Divino” Ademir da Guia. Foi um goleiro extremamente arrojado, seguro e decisivo. Sua cara fechada sempre lhe impunha respeito. É um dos grandes craques brasileiros debaixo da trave, sem dúvida. Mas inimigo público de muita gente... 👤 Emerson Leão 👶 11 de julho de 1949 (67 anos) 🏠 Brasileiro 👕 (como jogador): São José-SP, Palmeiras, Vasco, Grêmio, Corinthians, Sport e Seleção Brasileira. (Como treinador): Sport, Coritiba, Palmeiras, Portuguesa, São José-SP, XV de Piracicaba, Shimizu S-Pulse-JAP, Juventude, Atlético-PR, Verdy Kawasaki-JAP, Atlético-MG, Santos, Internacional, Grêmio, Cruzeiro, São Paulo, Vissel Kobe-JAP, São Caetano, Al-Saad-CAT, Goiás e Seleção Brasileira. 🏆 (Principais: Jogador): Campeonato Brasileiro: 69, 72, 73 (Palmeiras), 81 (Grêmio). Como técnico (Principais): Copa Comnebol: 97 (Atlético-MG) e 98 (Santos); Campeonato Brasileiro: 87 (Sport), 02 (Santos). 👑 Bola de Prata da revista Placar: 72 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7,8) #Palmeiras #Grêmio #SeleçãoBrasileira #CopadoMundo1970 #CopadoMundo1974 #CopadoMundo1978 #Goleiro

  • The invisible wall

    Meu amigo classudo, começamos hoje com a pergunta: carregador de piano também usa terno? Pois bem, nós acreditamos que sim. O carregador de piano é aquele que faz o trabalho duro de fazer a marcação no meio campo e entregar a bola limpinha aos meio-campistas. E hoje trazemos um jogador que cumpriu a função como poucos. Estamos falando dele: Gilberto Silva. O volante mineiro, natural de Lagoa da Prata, pendurou as chuteiras em dezembro do ano passado. Mas continua sua história no futebol, agora como diretor de futebol do Panatinaikos da Grécia. Inclusive, o clube grego foi um dos que Gilberto Silva fez história. Na lista ainda pode-se incluir: América-MG, Atlético-MG, Arsenal e, claro, na Seleção Brasileira. E pensar que o classudo chegou a abandonar o futebol aos 16 anos. Era o primogênito da família e atuava nas categorias de base do América-MG. No ano de 92, sua mãe adoeceu e ele resolveu abandonar as canchas para ajudar nos cuidados em sua casa. Voltou para a cidade e até trabalhou em uma fábrica de caramelos por lá. Para a sorte do time mineiro, Gilberto volta ao time em 96, depois de muita insistência dos amigos que o viam como um bom jogador. O jovem atuava como volante ou zagueiro com o terno do América. Por lá disputou 87 jogos, fez 8 gols e foi destaque do título do Brasileirão da série B conquistado pelo Coelho. Em 00 Gilberto Silva realizou o sonho de jogar no Atlético-MG, seu time de coração. No Galo ele precisou de menos de um ano para conquistar a torcida atleticana. Sendo peça imprescindível no meio-campo do time, destacava-se pelo alto número de desarmes e por fazer poucas faltas. As boas atuações chamaram a atenção de Luiz Felipe Scolari, que reformulava a Seleção Brasileira. O volante terminou a temporada de 01 sendo considerado o melhor jogador atuando em Minas Gerais e integrando o escrete canarinho de Felipão. Era só o começo, porque estava na lista de convocados do Brasil para a Copa do Mundo de 02, reserva imediato de Émerson, dono da camisa 5. Acontece que o titular contundiu-se no rachão durante a preparação do Brasil para o Mundial. Gilberto Silva ganhou a vaga e jogou todos os jogos, sem sair sequer um minuto, na campanha do pentacampeonato. Suas atuações chamaram a atenção de Arsene Wenger, manager do Arsenal, que o contratou para a temporada 02/03. Com o terno vermelho dos Gunners, o carregador de piano brasileiro, ficou conhecido como "The Invisible Wall" ou em bom português: "A muralha invisível". Era titular absoluto do último título inglês conquistado pelo Arsenal em 03/04, quando foram campeões invictos. Ostentando o terno 19 nos tapetes verdes da Inglaterra, Gilberto atuou por 7 temporadas, sendo o capitão boa parte deste tempo. Em seu livro “Invicible”, Wenger escreveu sobre Gilberto Silva: “Ele, para mim, é classe, modéstia, humildade, uma pessoa de primeira qualidade. Estava pronto para se sacrificar pelo time. Você precisa desse jogador em frente à defesa, que está pronto para fazer o trabalho sujo para outras pessoas”. Aos 32 anos se despediu do Arsenal e foi rumo ao Panatinaikos. No time grego, era respeitado e foi campeão nacional por duas vezes. Depois de três anos, o agora veterano volante volta ao futebol brasileiro. Desembarca no sul do Brasil, para atuar no Grêmio. Durante 18 meses no tricolor gaúcho, voltou ao Galo. Já veterano, com 36 anos, aumentou sua história com o terno alvinegro. Participou da campanha épica do título inédito da Libertadores 2013 do Atlético-MG. Era líder do elenco fora de campo e ainda jogou as duas partidas das semi-finais contra o Newell’s Old Boys. A conquista foi sua última como jogador profissional. Já que em 2014 não teve seu contrato renovado com o Galo e ficou longe dos gramados se recuperado de lesão. Apesar de não ter tido uma despedida do tamanho que merecia pela sua história no futebol, Gilberto Silva é lembrado com carinho em todos os clubes que passou. Quem o assistiu jogando pelo Arsenal, sabe que ele está na lista dos maiores volantes – carregadores de pianos – do Brasil nos anos 00. Por que jogava de terno? Porque era o carregador de piano que vestia terno. Roubava as bolas e passava para os companheiro do meio-campo ofensivo. Nos times que passou, era sempre um dos líderes.. Apesar de ser pouco badalado, ficou famoso pelo seu jeito simples e pragmático de jogar futebol. 👤 Gilberto Aparecido da Silva 👶 7 de outubro de 1976 🏠 Brasileiro 👕 América-MG, Atlético-MG, Arsenal, Pantinaikos, Grêmio e Seleção Brasileira 🏆 Campeonato Inglês 03/04, Copa da Inglaterra 03 e 05 (Arsenal), Campeonato Grego 09/10 (Panatinaikos); Copa Libertadores 13 (Atlético Mineiro); Copa do Mundo 02, Copa das Confederações 05 e 09, Copa América 07. 👑 Craque do ano 02 em Minas Gerais pelo Troféu Guará. Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7) #AtléticoMG #AméricaMG #Arsenal #SeleçãoBrasileira #Brasil #CopadoMundo2002 #CopadoMundo2006 #CopadoMundo2010 #Volante

  • Valentin Ivanov: A peça chave da CCCP

    Quando a União Soviética surgiu para o futebol na década de 50 o mundo pós-guerra vivia o auge da Guerra Fria. Muito se falou sobre aquela seleção e seu emblemático uniforme com as letras CCCP. Por trás daquela Cortina de Ferro do bloco comunista, pouco se sabia sobre os jogadores. Falava-se até em uma preparação feita em laboratório por cientistas. Talvez por isso as informações sobre o jogador de hoje sejam escassas. Mas Valentin Ivanov, foi uma das principais peças dessa "máquina soviética". O jogador, assim como quase todo o time não era muito habilidoso. O treinamento rígido dos soviéticos era baseado na força e precisão, nada de dribles. Talvez por isso essa seleção tenha sido mais lembrada pelo coletivo do que por valores individuais. O grande destaque do time estava no gol e atendia pelo nome de Lev Yashin. O que torna Ivanov imortal nessa geração eram os gols. Foi o artilheiro da Copa de 62, com 4 gols (dividiu a artilharia com outros 5 jogadores). Foi também destaque nas outras competições que disputou pelo instinto artilheiro, além de poder desempenhar múltiplas funções em campo. Encerrou a carreira em 66, aos 32 anos, como o terceiro maior artilheiro da União Soviética, com 26 gols em 59 jogos. Em equipes dedicou toda sua carreira a defender o terno do Torpedo Moscou, time que hoje disputa a segunda divisão da Rússia. Por que jogava de terno? Ivanov fez parte de um escrete imortal: a da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS ou CCCP em russo) de 50 a 62 e foi parte importante nas históricas conquistas da medalha de ouro nas Olimpíadas de 56 e na Eurocopa de 60. A falta de informações mais precisas sobre aquela época não nos permite ser mais específicos sobre seu estilo de jogo. O que se sabe é que aquela seleção priorizava o trabalho coletivo, baseado em estudos e treinos rigorosos. E de Valentin Ivanov se esperava aquilo que, de fato ele soube fazer: gols 👤 Valentin Kozmich Ivanov 👶 19 de novembro de 1934, faleceu em 8 de novembro de 2011 (76 anos) 🏠 Soviético 👕 Torpedo Moscou e Seleção Soviética 🏆 Medalha de Ouro dos Jogos Olímpicos de 56 e Eurocopa de 60 👑 Artilheiro da Copa do Mundo de 62 (4 gols) Classômetro: 👔👔👔👔👔 (5,7) #SeleçãoSoviética #Meiaatacante #CopadoMundo1958 #CopadoMundo1962

  • O primeiro negro em campo

    A história nos mostra que nem tudo é exato, documentado e provado. O que podemos contar é o que nos chega até os dias de hoje como resquício ou fragmentos de documentos e memórias. Hoje no JdT temos o prazer de escrever sobre o primeiro negro a atuar com a camisa de um clube de futebol no Brasil, Francisco Carregal. Em 1905 o Bangu contava com cinco ingleses (Frederick Jacques, John Stark, William Hellowell, William Procter e James Hartley), três italianos (Cesar Bochialini, Dante Delocco e Segundo Maffeu), dois portugueses (Francisco de Barros e Justino Fortes) e um brasileiro. Operário tecelão da fábrica Bangu, Carregal nas horas vagas praticava o até então esporte elitista chamado futebol. Tinha como hábito se vestir muito bem, pois achava que assim diminuiria as chances de sofrer com o preconceito racial diante de seus colegas de equipe e torcida. Estreou em uma partida oficial contra o elitista Fluminense no dia 14 de maio de 1905. No placar final 5 a 3 para o time do Jardim da Fábrica Bangu. Carregal era uma referência para a população negra que só podia assistir aos jogos. O meio campo incontestável, se destacava na sua função diante os adversários. Mas não passou despercebido ao olhar da Liga Metropolitana de Futebol, determinando que o clube não registrasse "pessoas de cor" como atletas. O clube do subúrbio da cidade do Rio de Janeiro optou em se afastar da entidade, mantendo o jogador. A atitude do clube começou a ser referência para um novo padrão, pouco a pouco começou a surgir negros em clubes do Rio e do Brasil. Em 1911 o clube voltou à Liga com 4 negros e conquistou o título da segunda divisão. Muito se falou, mas o que ocorreu foi uma maior aceitação de negros dentro de clubes de futebol. Por que jogava de terno? Apesar da falta de informações do jogador, pouco importa se ele era talentoso ou não. O que realmente importa é o pioneirismo dentro do futebol. Sua coragem para enfrentar uma sociedade racista é digna de respeito. Felizmente evoluímos, mas não o suficiente. O que temos hoje é graças a um primeiro passo, esse dado por Carregal e o Bangu. 👤 Francisco Carregal 👶 Sem informações 🏠 Brasileiro 👕 Bangu 🏆 Sem títulos de destaque 👑 Sem premiações de destaque Classômetro: 👔👔👔👔👔 (∞)* * Não é possível dar nota de Classômetro para Carregal #Bangu #Brasil

  • Você sabe quem foi Preguinho?

    14 de Julho de 1930. Uruguai. Estádio Parque Central. O relógio marcava 17 minutos do segundo tempo e o placar apontava Iugoslávia dois, Brasil zero, quando a bola sobrou limpa na frente do gol já sem o goleiro iugoslavo. Preguinho, ídolo do Fluminense, empurrou-a para as redes. Era o primeiro gol da seleção brasileira em uma Copa do Mundo, colocando João Coelho Netto na galeria dos grandes ídolos brasileiros na época. 86 anos depois daquele gol, a JdT presta homenagens a Preguinho. Antes de qualquer coisa, precisamos dizer que ele talvez tenha sido o maior desportista que o Brasil já viu. Motivo? Antes de ingressar no futebol, Preguinho já se destacava em outras modalidades. Durante sua vida, conquistou 387 medalhas e 55 títulos entre natação, remo, atletismo, basquete, vôlei e mais outras tantas. Sua estreia como jogador do Fluminense, inclusive, foi logo após Preguinho conquistar o tricampeonato estadual de natação. Ainda com a medalha no peito, pegou um táxi até o Estádio das Laranjeiras para ajudar o Fluminense a conquistar o Torneio Início do Rio de Janeiro contra o São Cristóvão. Preguinho era sócio do Fluminense antes mesmo de nascer. Sua família era toda tricolor e frequentava a sede do clube diariamente. Durante muito tempo, a família Coelho Netto foi uma das mais influentes no Fluminense. Pelo Flu, jogou de 1925 a 1939. Entrou em campo 174 vezes e marcou 153 gols, sendo o oitavo maior artilheiro da história. Era considerado um ponta esquerda veloz, ágil e goleador. É membro da galeria de ídolos tricolores e jamais recebeu um mísero centavo do Fluminense em toda a sua carreira. Mesmo após a profissionalização do futebol, se recusou a receber dinheiro do clube. Em 1930 foi capitão da seleção Brasileira na Copa do Mundo do Uruguai. Fez o primeiro gol da história da seleção em Copas e saiu como o artilheiro do time na competição. Pela seleção, atuou por 5 jogos e marcou 9 gols. Por que jogava de terno? Há quem diga que Preguinho foi o maior desportista que o Brasil já viu. E seu talento para os esportes também entrava em campo. Com o terno do seu amado Fluminense e da seleção Brasileira, Preguinho cravou seu nome na história do clube e do futebol brasileiro. 👤 João Coelho Netto 👶 8 de fevereiro de 1905, faleceu em 1° de outubro de 1979 (74 anos) 🏠 Brasileiro 👕 Fluminense e Seleção Brasileira 🏆 Campeonato Carioca 33, 37 e 38 (Fluminense) 👑 Sem premiações de destaque Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7) #Fluminense #CopadoMundo1930 #SeleçãoBrasileira #Brasil #Atacante

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