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  • O cara que driblou Pelé

    Pouquíssimos jogadores têm em sua carreira histórias de triunfos ao enfrentar o maior jogador de todos os tempos. Pois este número cai ainda mais quando se trata de jogadores que enfrentaram o Rei do Futebol e, além disso, conseguiram driblá-lo. O classudo de hoje é um desses caras. Possivelmente o único que conseguiu driblar Pelé. Seu nome? Airton Ferreira da Silva, o Airton Pavilhão. Airton iniciou a carreira em um modesto clube da região metropolitana de Porto Alegre, o Força e Luz, em 1949. O jovem jogador já chamava a atenção de outros clubes até que, em 1954, foi contratado pelo Grêmio em uma das transações mais curiosas do futebol gaúcho, quiçá do futebol brasileiro. Além dos 50 mil cruzeiros que o Grêmio pagou ao Força e Luz, a negociação envolveu o pavilhão social do Estádio da Baixada, antiga casa gremista antes do Estádio Olímpico Monumental, que o Grêmio ainda tinha posse. Graças a negociação surgiu o apelido de Airton Pavilhão. Apesar de iniciar como volante, foi como zagueiro que Airton fez sua carreira no futebol. Foi atuando pelo Grêmio que Airton Pavilhão se tornou o 'único jogador a driblar Pelé'. Em uma partida contra a equipe santista, além de anular o Rei, Airton ainda aplicou um chapéu em Pelé. O lance não passou despercebido (e tinha como passar?) e marcou a carreira do jogador. As sempre boas atuações do zagueiro contra o então maior time do mundo não passaram despercebidas e não demorou muito para o Santos contratar o zagueiro, em 1960. Porém, de acordo com os boatos, Airton não conseguiu se adaptar ao novo estilo de vida. O zagueiro não foi bem por um simples motivo: medo de voar. Como o "Santos viajava muito", segundo o jogador, foi difícil a adaptação de Airton, que regressou ao Grêmio um ano depois. Pavilhão encerrou sua carreira em 1971. Foi conselheiro titular do Grêmio entre 2007 e 2013 e recebeu várias homenagens pelo clube gaúcho, como ter o nome dado aos pavilhões de treinamento da equipe no CT de Eldorado do Sul. Airton faleceu em 2012, devido uma infecção generalizada. Em 2016, teve seu nome dado a uma rua de Porto Alegre, que ficou conhecida como O Pavilhão, no bairro Humaitá, próximo a Arena do Grêmio. Por que jogava de terno? Airton Pavilhão sempre foi considerado um zagueiro de excepcional técnica e habilidade, além de quase nunca fazer faltas. É considerado por muitos o maior zagueiro da história gremista e do futebol gaúcho e considerado melhor que Figueroa, Domingos da Guia, Bellini e outros nomes que marcaram história no futebol brasileiro. Apesar da qualidade acima da média, não teve tantas oportunidades pela Seleção Brasileira, uma vez que atuava fora dos grandes centros do futebol brasileiro para a época. 👤 Airton Ferreira da Silva 👶 31 de outubro de 1934 e faleceu em 3 de abril de 2012, aos 77 anos. 🏠 Brasileiro 👕 Força e Luz, Grêmio, Santos, Cruzeiro (RS), Cruz Alta e Seleção Brasileira. 🏆 (principais): Campeonato Gaúcho 56, 57, 58, 59, 60, 62, 63, 64, 65, 66 e 67; Campeonato Sul-Brasileiro 62 (Grêmio); Campeonato Pan-Americano 56 (Seleção Brasileira) 👑 Sem títulos individuais de destaque. Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔 (7,5) 📷 Divulgação Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense #Grêmio #Santos #SeleçãoBrasileira

  • El loco del fútbol argentino

    Em tempos de discussões sobre chuteiras coloridas e penteados estilosos no mundo do futebol, o argentino Hugo Orlando Gatti se destacaria. Como seria, em plenas décadas de 60 e 70, acompanhar um goleiro com rituais excêntricos dentro e fora dos gramados? El Loco, como ficou conhecido, começou sua carreira em 62 pelo Atlanta, sendo transferido para o River Plate dois anos depois. Em 69 iniciou sua passagem pelo Gimnasia e em 75 foi contratado pelo Unión de Santa Fe a pedido do técnico Juan Lorenzo (o próprio Lorenzo o convocou para a Copa do Mundo de 66). Gatti agradou o clube com sua boa temporada - defendeu quatro pênaltis - fato que contribuiu para que fosse reconhecido como o jogador de terno que é. No ano seguinte chega ao gigante Boca Juniors e no clube, escreve história. Seu nome é citado entre os de ídolos como Román Riquelme, Carlitos Tévez e Diego Maradona. Ao lado de Suñe e Mastrángelo foi um dos pilares da conquista da Libertadores de 77. Na final, contra o Cruzeiro, consagrou-se herói ao defender o pênalti batido pelo capitão Vanderley. Na decisão da Intercontinental do mesmo ano os xeneizes bateram o favorito Borussia por uma goleada de 3 a 0, baita temporada do jogador. A insistência em usar bermuda e bandana durante as partidas faz parte da ousadia de Gatti. Já atuou com a camisa número 0, jogando a 1 ou a 12, preferidas dos guarda-redes, para escanteio. Boladas no rosto eram parte de seu treinamento e tomar vinho antes das partidas um ritual. Sabe a intensa rivalidade entre Brasil e Argentina? Ousou afrontá-la. Em 88 conseguiu uma camisa do Santos (rosa e prateada) com seu colega Rodolfo Rodríguez e amarrou uma bandana, também rosa, no cabelo. O argentino jogou com a camisa do time brasileiro por cerca de três jogos. 11 de setembro do mesmo ano, La Bombonera, partida contra o Club Deportivo Armenio. El Loco comete o erro que origina o gol do adversário ao tentar cortar uma bola de Silvado Maciel. O treinador da equipe, na época José Pastoriza, questiona a titularidade do defensor, colocando em seu lugar o colombiano Carlos Navarro. Mal sabia Hugo Gatti que a aposentaria de seu terno estava próxima. Para alguns encerrou a carreira por política, para outros por sua contestada forma física. Classificado como líbero que usa as mãos, sempre seguro e atento, o classudo não gostava de deixar problemas para seus companheiros resolverem. Saídas arriscadas de fora da área foram comuns em sua carreira, nem sempre os atacantes saíram satisfeitos. A preocupação estética refletia na forma como se impunha dentro e fora de campo. Por que jogava de terno? El Loco já atuou como meio-campo e atacante pelo Boca Juniors, denomina-se torcedor da equipe xeneize - foram 12 anos de clube. É o jogador com o maior número de partidas por equipes argentinas, 765 no total. Além disso, permaneceu sem tomar gols na Libertadores por 767 minutos, recorde mantido por quase 30 anos. Ao longo de sua carreira defendeu 26 pênaltis e mesmo não se destacando pela seleção argentina, é celebrado como um dos maiores goleiros da história do futebol do país. 👤 Hugo Orlando Gatti 👶19 de agosto de 1944 🏠 Argentino 👕 Atlanta, River Plate, Gimnasia La Plata, Unión Santa Fe, Boca Juniors e Seleção Argentina 🏆 (principais) Taça Libertadores da América 77 e 78 e Copa Intercontinental 77 (Boca Juniors) 👑 Segundo o IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas do Futebol) é o terceiro maior goleiro argentino do século XX, perdendo apenas para Amadeo Carrizo e Ubaldo Fillol. Entre os sul-americanos, o sétimo. Classômetro: 👔 👔 👔 👔 👔 👔 (6,8) 📷 Site da FIFA #BocaJuniors #SeleçãoArgentina #RiverPlate

  • O grande capitão

    Em geral, zagueiros não chamam a atenção da mídia pelo seu futebol. O feito dos meias e dos atacantes de qualidade, principalmente, daqueles que atuaram no passado, costumava ofuscar o brilho de uma bela tirada de bola. Porém, o classudo do Joga de Terno de hoje, tornou-se um ponto fora da curva nesse quesito. Hilderaldo Luís foi idolatrado por todos os clubes em que jogou, contribuiu para agigantar ainda mais a história do Vasco e liderou a Seleção Brasileira de 58 ao seu primeiro título mundial na Suécia. Provavelmente, pelo nome, você pode ainda não saber quem é, porque Hilderaldo ficou mundialmente conhecido pelo seu último sobrenome: Bellini. Agora, é quase impossível que alguém não tenha ouvido falar. Antigamente, os jogadores não escolhiam iniciar a carreira no futebol. Não era como hoje em dia, em que crianças jogam em escolinhas e sonham com uma peneira, para que consigam ingressar em um clube tradicional. Bellini começou jogando bola nas ruas da sua cidade natal, Itapira, município do interior do estado de São Paulo. Entre os motivos que contribuíram para que Bellini jogasse na zaga, está a admiração que possuía pelo futebol de Domingos da Guia e também, a sua falta de habilidade com a bola mesmo. Na adolescência, jogou pelo amador Itapirense e, no fim dos anos 40, acabou sendo o novo reforço do Sanjoanense, da cidade de São João da Boa Vista. Na época, o time disputava a segunda divisão do campeonato paulista e o zagueiro permaneceu lá durante três temporadas. Após chamar a atenção de muitos clubes grandes nesse período, acabou optando por escolher o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, onde a carreira decolou. Com o terno do Vasco, Bellini foi lapidado. Em sua primeira temporada, disputou o torneio de aspirantes, para que os dirigentes do clube da colina pudessem avaliar o atleta que tinham em mãos. Na temporada seguinte, passou a integrar o time principal e disputou a vaga com Haroldo, para ver quem seria o mais capacitado a dar seguimento ao “Expresso da Vitória”, que chegava ao seu último título com o elenco praticamente sem alterações. Com uma humildade exemplar, Bellini saiu do banco de reservas para a titularidade como capitão do Vasco em 53 e, durante as nove temporadas seguintes, construiu uma carreira cinematográfica. Vestindo a camisa 3 do Vasco, o zagueiro conquistou o famoso Torneio Internacional de Paris de 1957, em que a equipe do Vasco derrotou o Real Madrid de Di Stéfano na final, e o Troféu Teresa Herrera no mesmo ano. Bellini tornou-se Ídolo do Vasco e sua passagem por São Januário encerrou-se com o título do Torneio Internacional do Chile, disputado por Colo-Colo, Nacional e Vasco campeões por Chile, Uruguai e Brasil, respectivamente. E com a conquista do Torneio Rio-São Paulo de 58, última taça conquistada com Bellini na equipe. Após a conquista da Copa do Mundo de 62, Bellini, aos 32 anos, transferiu-se para o Tricolor do Morumbi em uma badalada contratação, já que o São Paulo vinha de um jejum de títulos devido a construção do Morumbi, que apesar dos gastos, desembolsou uma grana para fechar sua dupla de zaga com dois campeões mundiais pela seleção, Bellini e Mauro Ramos. Apesar de desfilar boas atuações, Bellini deixou o São Paulo em 67 sem conquistar nenhum título. Aos 38 anos, chegou ao Atlético Paranaense junto com o também bicampeão mundial Djalma Santos, e jogou apenas uma temporada. Em 20 de julho de 1969, mesmo dia em que Armstrong chegava pela primeira vez à lua, o grandalhão Bellini despedia-se dos gramados em um Atletiba que terminou empatado em zero a zero, fazendo com que o zagueiro fosse o único protagonista daquele dia. Apesar da linda trajetória pelos clubes em que passou, Bellini ficou marcado na história com a camisa do Brasil, terno que usou por 57 jogos, vencendo quarenta e dois deles, empatando onze e perdendo apenas quatro jogos. Em 58, bancou o zagueiro Mauro Ramos, na seleção comandada por Feola e foi o primeiro capitão a erguer a taça de campeão do mundo pelo Brasil. O gesto de levantar a taça acima da cabeça foi criado e eternizado por Bellini, que em 62 foi homenageado por Mauro Ramos, titular da época, repetindo o gesto. Pela seleção, o zagueiro ganhou ainda duas Copas Rocas, torneio disputado entre Brasil e Argentina, três copas Oswaldo Cruz, disputadas entre Brasil e Paraguai, uma Taça Bernardo O’Higgins, disputada entre Brasil e Chile e uma Copa Atlântica. Por que jogava de terno? Bellini era alto e forte, conhecido por sua disposição e raça, apesar da pouca habilidade com os pés, o que fez com que acabasse se tornando zagueiro, Bellini tinha classe e era extremamente eficaz nos desarmes e tiradas de bola. Sua seriedade e dedicação fizeram com que seus chutões e entradas firmes não terminassem, geralmente, em faltas ou gerassem lesões em seus adversários. Além disso, Bellini era um ótimo líder, capitão pela maioria dos clubes em que passou e foi eternizado como o grande capitão da seleção brasileira. Bellini está marcado na história do futebol, principalmente, quando o assunto é o Maracanã. Conhecido popularmente como o “maior do mundo”, o estádio exibe a estátua do zagueiro em uma das entradas, tornando-se um marco para encontro de torcedores. O zagueiro faleceu em 2014, aos 83 anos, por complicações de uma doença que já o acompanhava há anos, o Alzheimer. 👤 Hilderaldo Luís Bellini 👶 7 de junho de 1930, faleceu em 20 de março de 2014, aos 83 anos 🏠 Brasileiro 👕 Itapirense (BRA), Sanjoanense (BRA), Vasco da Gama (BRA), São Paulo (BRA), Atlético Paranaense (BRA) e Seleção Brasileira. 🏆 (Principais) Campeonato Carioca 52, 56 e 58, Torneio Rio–São Paulo 58 (Vasco da Gama); Copa do Mundo 58 e 62, Copa Roca 57 e 60 (Seleção Brasileira). 👑 Sem título individual de destaque. Classômetro: 👔 👔 👔 👔 👔 👔 👔 👔 (8,5) 📷 Gazeta Press #SeleçãoBrasileira #Vasco #SãoPaulo #AtléticoPR #CopadoMundo

  • O Bafana bafana mais querido da Inglaterra

    O classudo de hoje não foi nem na sua seleção quanto clubes, o protagonista. Porém Steven Pienaar é uma personalidade do futebol sul-africano digno de ter seu nome lembrado por nós, afinal o eterno xodó do Everton era detentor de um futebol "Arroz com feijão" que dava sustentação a todas as equipes em que jogara. Apesar de ter feito praticamente toda sua carreira na Europa o 'bafana bafana' sentiu o gosto de poder atuar em um clube de seu país de origem, o Ajax Cape Town, oportunidade em que a maioria dos jogadores do continente em questão não tem. Porém, a desvinculação entre atleta e a liga natal aconteceu precocemente, exatamente após dois anos de sua estreia. Agora era a poderosa liga holandesa, o terno pesadíssimo do verdadeiro Ajax e o pequeno Pienaar. Pelos "Godenzonen's", Pienaar conquistou seus únicos títulos coletivos e todos eles com sua ajuda fundamental e discreta aos olhos da mídia, até pelo fato de todos terem olhos apenas para as promessas Sneijder e Ibrahimovic! Após a grande passagem pelo Ajax de Amsterdã, o nosso classudo se viu a encarar seu maior desafio da carreira ao ter que substituir Tomáš Rosický e vestir a camisa dez do Borussia Dortmund. Infelizmente o então garoto não conseguiu se adaptar ao futebol alemão e teve que seguir para a terra da rainha. Ao lado do espanhol Mikel Arteta, do australiano Tim Cahill e do inglês Leon Osman, Pienaar formou uma meiuca de respeito no Everton e que chegou a ser apelidada pela torcida dos Toffes como "Joias em miniatura". Ao fim de sua trajetória pelo clube azul de Liverpool, o camisa dez sul-africano ainda teve passagens por alguns clubes do campeonato inglês, mas nada que possa se comparar ao que ele fez pelo Everton. É claro, tudo o que era feito pelo time, sempre discreto e eficiente. A essência de um grande meio campista! Por que jogava de terno? Dono de um passe muito bom, Pienaar era o tipo de jogador que consagrava muitos outros jogadores com qualidade na frente da meta. Sua função sempre foi essa, e por isso nunca foi um grande alvo dos holofotes. 👤 Steven Jerome Pienaar 👶 17 de março de 1982 🏠 sul-africano 👕 Ajax Cape Town-RSA, Ajax-HOL, Borussia Dortmund-ALE, Everton-ING, Tottenham-ING, Sunderland-ING e Seleção Sul-africana. 🏆 Campeonato holandês 01/02 e 03/04; Copa da Holanda 01/02 e 05/06 (Ajax). 👑 Melhor jogador sul-africano 09 e melhor jogador do Everton 09/10. Classomêtro: 👔👔👔👔👔 (5) 📷 Imagem: Alex Livesey/Getty Images #Ajax #Everton #BorussiaDortmund #Tottenham #SeleçãoSulafricana

  • Boteco JDT - Os mais belos gols feitos fora de campo

    A gente não precisa ir muito longe para provar que o futebol "Não é só um esporte" ou que o ele vai além das quatro linhas. O futebol, do jeito que ele é hoje, também é praticado em diversas esferas, seja a social, cultural, econômica... E a coleção "Jornalismo Investigativo", em seu terceiro volume, traz 11 grandes golaços feito na área do jornalismo. "11 Gols de Placa - uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol" é um selecionado de grandes matérias que determinaram mudanças e reflexões importantes sobre a maior paixão do brasileiro. Ficou a cargo de Fernando Molica repassar pela história do Jornalismo Brasileiro e buscar 11 grandes reportagens que relembram quando o futebol deixou de ser um mero espetáculo e passou a ser protagonista de histórias de vida, de investigação e, claro, criminosas. Molica relembra ao leitor quando o Brasil ficou de frente à dura realidade de quem tentava ganhar a vida no Futebol, mas encarava a fome no maior obstáculo para conseguir seu objetivo, numa premiada reportagem publicada em 67 por João Máximo, na época no Jornal do Brasil. O Estado de São Paulo, numa fenomenal matéria de Michel Laurence, relembrou as falcatruas contratuais dos acordos feitos por clubes ao jogadores no final da década de 60, o que fazia que alguns craques - pelo menos os que estavam longe dos holofotes - se tornassem escravos. Outra dura realidade foi trazida à tona por Marco Sena d'O Dia já nos anos 2000, quando ele pode contar a vida dura dos desempregados que ainda viam no esporte o único meio de sobreviver. Fernando Molica ainda tratou de relembrar casos que beiraram ao absurdo e que causou crise política em Brasilia. Esse caso em específico trata das "muambas" trazidas pelos então campeões mundiais de 94 após o título conquistado em 94 pelo Brasil. O "contrabando" da Copa foi uma eficaz reportagem de Fernando Rodrigues que "por acaso" descobriu que a seleção Tetra Campeã Mundial desembarcava no Brasil com 15 toneladas a mais de mercadorias importadas dos EUA e que a CBF queria isentar de impostos. As matérias da Folha de SP. fizeram ministros largarem o posto e uma profunda investigação na fiscalização da alfândega ser iniciada. A CBF é ainda protagonista em matérias de Sérgio Rangel e Juca Kfouri quando descobriram que a entidade máxima assinava um contrato que dava quase controle total da Seleção Brasileira a sua principal patrocinadora a Nike. A matéria faria o congresso abrir a famosa CPI da CBF/Nike. Os textos são baitas de golaços feitos por nossos jornalistas que não ficaram apenas esperando por pronunciamentos oficiais ou que analisaram apenas o jogo por 90 minutos. São de fato memorias esportivas que mostram o quão podre pode ser nosso esporte favorito. Podre porque todas elas mostram um lado não glorioso do esporte bretão. Glória, aliás, era o que queriam jovens garotos que, iludidos por empresários ambiciosos, tinham documentos falsificados e transformavam o Brasil na República Federativa dos Gatos, como André Rizek relembrou do caso que teve como gatilho o técnico Vanderlei Luxemburgo, à época à frente da Seleção, e que descobriu-se ter dois anos a menos do que realmente tinha. Todas as matérias vêm acompanhadas por pequenos relatos de seus altores que detalham como foram os bastidores da notícia e como chegaram a descobrir cada um daqueles casos. É neles que descobrimos como, por exemplo, Sérgio Rangel e Mário Magalhães fizeram para denunciar uma empresa de Pelé que teria ficado com uma verba que deveria ir a UNICEF. A obra é fechada com a reportagem de Risek sobre o maior caso de influência de resultados que o Brasil já teve: a "Máfia do Apito" em 2005. Vale a pena ler? Os textos nada mais são que as reportagens na íntegra, bem como foram publicadas na época, de casos que geraram rebuliço no país. Valerá a pena sempre lembrar de como o futebol influencia nossa vida. Seja para o bem ou para o mal. Fato é que são 11 belos gols, que são desfrutados em boas doses de leituras para o fã do esporte e de motivação para qualquer profissional do ramo jornalístico. ✏✏✏✏✏✏✏✏ (8) 📖 11 gols de placa - uma seleção de grandes reportagens sobre o nosso futebol (378 páginas) 📝 André Rizek, Diogo Olivier Mello, Fernando Rodrigues, João Máximo, Juca Kfouri, Leandro Mendes Júnior, Marceu Vieira, Marco Sena, Marcos Penido, Mário Magalhães, Michel Laurence e Sérgio Rangel. Com organização de Fernando Molica. 📅 2010 📚 Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) 💵 R$ 14,90,90 + frete (Livraria Cultura) 📷 Kael Ladislau/Joga de Terno

  • Aquele que calou o Maracanã

    Um dos melhores e maiores ponteiros direitos da história do futebol brasileiro e do mundo. Você pode não conhecer Julinho Botelho mas deveria saber que o Maracanã já se curvou a ele ou que ele é uma das estrelas da eterna "Academia de Futebol". Iniciou sua carreira no começo dos anos 50 pelo Juventus da Mooca, mas logo se transferiu para a Portuguesa. Até 1955 defendeu a Lusa no imortal Canindé e em 1956 já estava em terras italianas jogando pela Fiorentina. Em Florença, Botelho foi ídolo jogando em sua posição favorita: ponta-direita. Se destacou na conquista do primeiro título italiano da Florentina, e até hoje é lembrado por torcedores do clube sendo considerado por muitos italianos como o maior atleta que já passou pela Viola e celebrado por desfilar dribles, passes e gols. A Copa do Mundo de 58, na Suécia, teve a seleção canarinha como a grande vencedora. Julinho, que havia conquistado o vice-campeonato do Sul-Americano, em 1953, era personagem certo para a Copa, mas não aceitou a convocação. Quando abdicou da vaga, Julinho demonstrou um enorme profissionalismo e respeito aos atletas que jogavam no Brasil e mereciam mais a vaga do que ele. Para o lugar do ponta-direita, o então técnico da seleção, Vicente Feola, convocou um tal de Garrincha. Sua repatriação aconteceu em 1958. Após a Copa da Suécia e o primeiro título mundial, Botelho retorna ao Brasil para jogar pelo Palmeiras. Foi um dos grandes destaques do imortal time que o Palmeiras montou no final dos anos 50 e início dos anos 60, equipe que ficou conhecida como "Academia de Futebol". Por que jogava de terno? Em maio de 1959, foi convocado para vestir o terno da Seleção Brasileira, contra a Inglaterra. O jogo aconteceu no majestoso Maracanã, em um amistoso festivo em comemoração ao título brasileiro da Copa do Mundo de 58. O técnico Feola não convocou como ponta-direita o titular absoluto, Garricha, e, então, quando o locutor escalou a seleção e disse o nome "Julinho", mais de 130 mil torcedores que estava eufóricos para ver o camisa 7 começaram a vaiar e gritar, algo que nunca havia acontecido no Maraca. Herói do jogo, com apenas 3 minutos o craque fuzilou o goleiro inglês e abriu o placar para o Brasil. Aos 29 minutos Botelho ainda deu um passe para Henrique ampliar o placar, 2x0 para o Brasil. Em um jogo que consolidou sua maestria, Julinho foi pura arte. Em cada toque na bola, passe ou dribles humilhantes ele mostrou que era um Jogador de terno e fez com que a torcida, que antes vaiou, ao final da partida aplaudisse. 👤 Júlio Botelho 👶 29 de Julho de 1929 🏠 Brasileiro 👕 Juventus (BRA), Portuguesa (BRA), Fiorentina (ITA), Palmeiras e Seleção Brasileira. 🏆(principais) Campeonato Italiano 55/56 (Fiorentina); Campeonato Paulista 59/63 Campeonato Brasileiro 60, Torneio Rio-São Paulo 65 (Palmeiras); Copa Rocca 60 (Seleção Brasileira). 👑 (principais) 73º Melhor Jogador do do Século pela Revista Placar 99, Um do 1000 Esportistas do Século XX pelo jornal The Sunday Times, melhor jogador da história da Fiorentina 96, eleito para o Time dos Sonhos do Palmeiras pela revista Placar 06. Classomêtro: 👔 👔 👔 👔 👔 👔 👔 (7,8) 📷 Divulgação S.E. Palmeiras #Palmeiras #SeleçãoBrasileira #Portuguesa #Fiorentina

  • É Bárbara

    Nas quartas de finais do futebol feminino pelos Jogos Olímpicos de 2016, torcedores foram da apreensão à euforia na disputa de pênaltis contra a Austrália. A craque Marta perdeu uma cobrança e ficou nas mãos da nossa classuda do dia a classificação para a semifinais. A goleira Bárbara foi o nome daquele jogo. Até vestir o terno da seleção principal em uma competição tão importante, a trajetória da recifense passou de campinhos de rua a clubes do Brasil, Itália, Suécia e Alemanha. Em uma entrevista para CBF Tv, a jogadora afirmou que seu pai sempre a incentivou e que descobriu sua vocação para atuar entre as traves quando ao chegar com o pé machucado, os amigos a fizeram jogar no gol mesmo contrariada. Daí nunca mais parou. Da quadra de casa foi para o time de uma escola e de lá para o Sport, clube no qual jogou por oito anos, e Europa. Neste período participou de uma preleção e foi convocada para a Seleção Sub-20, sendo campeã sul-americana na categoria cinco anos depois. Pela principal, esteve no grupo que conquistou a medalha de ouro no Pan-Americano de 2007 e a de prata nos Jogos Olímpicos de 2008, na equipe de Londres em 2012 e teve importante participação no Mundial Feminino de 2006, sendo fator decisivo para que a seleção chegasse ao terceiro lugar. E foi ainda destaque na campanha citada aqui no início, quando a seleção acabou em quarto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio e na edição deste ano da Copa América quando o Brasil sagrou-se heptacampeão. Atualmente a jogadora veste o terno do Kindermann e disputa o Torneio das Nações nos Estados Unidos. Por que joga de terno? Quando se fala em defender o gol, é preciso que seja alguém que passe confiança e chame a responsabilidade. A Bárbara tem tudo isso e ainda o que faz dela craque: a estrela, que brilha naqueles momentos mais complicados. Aqui tem goleira! 👤 Bárbara Micheline do Monte Barbosa 👶 4 de abril de 1988 🏠 Brasileira 👕 Sport, Napoli, Sunnanå SK (SUE), BV Cloppenburg (ALE), Foz Cataratas FC, São Caetano, Botafogo-PB, Kindermann 🏆 Jogos Pan-Americanos 07, Copa América 18 👑 sem premiações individuais de destaque Classômetro: 👔👔👔👔👔👔👔👔 (8,2) 📸 Gazeta Press #SeleçãoBrasileira #Napoli #Sport

  • O monstro do Maracanã

    Copa do Mundo de 1950, seleção brasileira eliminada dentro de sua própria casa. A esperança colocada nas costas daquele time foi alta e poucos jogadores saíram ilesos da crítica naquele momento. Um deles foi Bauer, jovem jogador que naquela Copa ganhou o apelido de “Monstro do Maracanã”. Foi revelado e atuou por onze anos no São Paulo, por lá foi penta campeão paulista, título que era importantíssimo na época. Ídolo da torcida tricolor, Bauer se destacava por sua vibração dentro de campo, e era um jogador aguerrido dentro dos gramados. Foi treinado pelo lendário Bela Gúttmann no São Paulo, o que lhe renderia no futuro uma história única. Foi campeão do sul-americano pela seleção brasileira em 49. Em 1950, já era destaque no futebol nacional e teve sua convocação confirmada para a Copa no Brasil. Se destacou tanto na campanha, que apesar da frustração e caça as bruxas gerado com o resultado negativo para o Uruguai, foi um dos únicos jogadores a serem reconhecido com um ótimo trabalho naquele campeonato. Como premiação, acabou sendo o único jogador da Copa de 50, convocado em 54. Na Copa da Suíça ele foi capitão da equipe que chegaria até as quartas contra a poderosa Hungria de Púskas. Entrou em decadência pós Copa, se transferiu para o Botafogo em 56 e no mesmo ano para a Portuguesa de São Paulo. Acabaria por encerrar a carreira no São Bento de Sorocaba. No ano seguinte se tornaria técnico de futebol e acabou trabalhando entre Brasil e México, treinando diversos clubes dos dois países. Em 1960 durante uma viagem para Moçambique, Bauer viu um jovem garoto jogar pelo Sporting Lourenço Marques, clube do país. Impressionado com a capacidade do jogador, ligou para o São Paulo e ofereceu ao clube a oportunidade de contratar o menino, prontamente o clube recusou. Em uma segunda tentativa ligou para seu ex-técnico Bela Gúttmann que naquele momento era treinador do Benfica de Portugal. Gútman recebeu muito bem a indicação e naquele mesmo ano, o jovem moçambicano Eusébio desembarcaria em Lisboa para começar sua jornada no Benfica. Por que jogava de terno? Bauer é considerado um dos melhores zagueiros daquela geração, ídolo do São Paulo e sempre presente nas seleções que os torcedores fazem do clube. Marcante para a seleção brasileira antes dos títulos mundiais, foi um importante jogador para sua geração e destaque pela sua vontade dentro de campo. 👤 José Carlos Bauer 👶 21 de novembro de 1925 🏠 Brasileiro 👕 São Paulo, Botafogo, Portuguesa-SP, São Bento e Seleção Brasileira 🏆 (principais): Campeonato Paulista 45,46, 48, 49 e 53 (São Paulo) Campeonato Sul-Americano 49 👑 Sem títulos individuais de destaque Classômetro: 👔👔👔👔👔👔 (7) #SãoPaulo #Botafogo #SeleçãoBrasileira #CopadoMundo

  • O discreto Gio

    Um dos objetivos do Joga de Terno é contar história de jogadores que, por vezes, passaram despercebidos no cenário mundial, ainda que tivessem desempenhado papel importante em algum clube e/ou seleção. Hoje é um desses casos e o nosso classudo provavelmente anda esquecido na mente de muita gente que acompanhou, principalmente o poderoso Arsenal do inicio dos anos 2000, o Barcelona de R10 e cia. e a Holanda finalista da Copa de 2010. Seu nome? Giovanni van Bronckhorst. Giovanni van Bronckhorst iniciou sua carreira no Feyenoord, com 18 anos. Porém, foi longe dos países baixos que ele realmente surgiu para o futebol mundial. Após fazer relativo sucesso na Escócia, jogando pelo Glasgow Rangers, o jogador despertou o interesse do Arsenal e desembarcou na Inglaterra em 2001. O jogador fez parte daquela poderosa equipe montada por Wenger e com os Gunners venceu o Campeonato Inglês e a Copa da Inglaterra. Na equipe de Londres, van Bronckhorst sofreu uma grave lesão no joelho e ficou longe dos gramados por um tempo. Ao voltar a jogar, o volante de origem, passou a atuar na lateral esquerda e assim ficou o restante da carreira. Após a lesão, van Bronckhorst nunca mais conseguiu conquistar o espaço dentro da poderosa equipe do Arsenal e foi emprestado para o Barcelona de Frank Riijkaard. Na equipe catalã viu seu nome mudar de van Bronckhorst para Gio e entrar para a história do Barcelona ao conquistar a sonhada Liga dos Campeões em 2006. Acontece que, novamente as lesões o atrapalharam e, apesar de ser uma das lideranças da equipe barcelonista, o jogador perdeu espaço para o brasileiro Sylvinho. Em 2007, Gio voltou para o Feyenoord. Com o terno do clube holandês jogou até 2010, quando decidiu se aposentar e virar treinador de futebol (pelo próprio Feyenoord). Antes disso, porém, Gio disputou a Copa do Mundo daquele ano e foi o capitão da equipe que eliminou o Brasil e chegou até a final, perdendo na prorrogação para a Espanha. Por que jogava de terno? Gio van Bronckhorst nunca foi o expoente técnico das equipes que atuou, mas tinha boa qualidade na saída de bola e na defesa. Qualidades essas que o faziam ser escolhido para atuar em diversas posições do setor defensivo. O volante/zagueiro/lateral esquerdo, fez parte de poderosas equipes e sempre desempenhou seu papel tático de forma simples e eficaz, o que o faz merecer espaço no Joga de Terno. 👤 Giovanni Christiann van Bronckhorst 👶 5 de fevereiro de 1975 🏠 Holandês 👕 Feyenoord, RKC Waalwijk (Holanda), Glasgow Rangers (Escócia), Arsenal (Inglaterra), Barcelona (Espanha) e Seleção Holandesa. 🏆 (principais): Campeonato Escocês 98/99 e 99/00, Copa da Escócia 99 e 00 e Copa da Liga Escocesa 98 (Glasgow Rangers), Campeonato Inglês 01/02 e Copa da Inglaterra 02 e 03 (Arsenal), Liga dos Campeões 05/06, Campeonato Espanhol 04/05 e 05/06 (Barcelona). 👑 Sem títulos individuais de destaque Classômetro: 👔👔👔👔👔👔 (6,9) 📷 Getty Images #Barcelona #Arsenal #SeleçãoHolandesa #Feyenoord #CopadoMundo

  • Marouane Fellaini

    Teria sido a copa do mundo Rússia 2018, a última chance do Marouane Fellaini marcar sua história ao lado da “geração belga”? Fellaini é um caso de amor e ódio com a torcida e os críticos de futebol, mas sempre ressurge das cinzas em alguns jogos e mostra seu lado “jogador de terno”. Conhecido como explosivo, caneludo e violento, iniciou sua carreia em 2006, jogando como volante, no Standard Liège, onde ganhou o Campeonato Belga na temporada 06/07 e o premio Chuteira de Marfim, entregue desde 1992 ao melhor jogador de ascendência africana atuando na Bélgica. Com o destaque que teve, conquistou uma vaga na seleção olímpica da Bélgica, 4ª posição nos jogos de Pequim 2008, perdendo o bronze para a nossa amada seleção Canarinho. E então, começou o assédio dos grandes clubes ao jogador belga com ascendência marroquina. Contratado pelo Everton em 2008, como sendo um dos jogadores mais promissores da Europa, mostrou-se um jogador muito versátil, que ajuda tanto na marcação como na armação. Medindo 1,94, e com uma razoável qualidade de passe, Fellaini colabora muito no ataque com jogadas aéreas, o que chamou a atenção do Campeonato Inglês. Em 2013, passou a vestir o terno dos Diabos Vermelhos, o Manchester United, sendo alvo de diversas críticas por parte da imprensa por ainda não ter feito sucesso, nem como meia e nem como atacante. Mesmo assim, foi um dos jogadores mais importantes da Bélgica no mata-mata do mundial 2018, e referência na vitória contra o Brasil na Copa 2018. Por que joga de terno? Mesmo não tendo se destacado no Manchester, Fellaini é um jogador com um porte físico e uma estatura que contribuem para qualquer equipe. Sua marcação forte a partir do meio-campo faz com que seja um volante que fortalece o sistema defensivo e, sua altura, ajuda a ser um atacante decisivo, principalmente em jogadas aéreas. 👤 Marouane Fellaini-Bakkioui 👶 22 de novembro de 1987 🏠 Belga 👕 Standard Liège, Everton, Manchester United e seleção belga. 🏆 Campeonato Belga 07/08 (Standard Liège) Copa da Inglaterra 15/16 Supercopa da Inglaterra: 15/16 Copa da Liga Inglesa 16/17 Liga Europa da UEFA 16/17 (Manchester United) 👑 60º melhor jogador do ano de 2012 (The Guardian), Chuteira de Ébano da Bélgica 08 Classômetro: 👔👔👔👔👔👔 (6) 📷 Laurence Griffiths/Getty Images #SeleçãoBelga #ManchesterUnited #Everton #CopadoMundo

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