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- Futebol & Música (1ª parte)
Nos estádios de futebol, a cada dia é maior a presença da música, com cantos das torcidas para incentivar suas equipes, ou para provocar os adversários. Canções como “You’ll never walk alone” e “Brasil, decime qué se siente”, entre outras, são entoadas ou adaptadas por diferentes torcedores, tornando as partidas ainda mais interessantes. Mas esta nova série do JdT não vai tratar desse tipo de ligação entre o futebol e a música, mas sim de várias ocasiões em que o esporte serviu de inspiração para a composição de músicas. Inaugurando a série, vamos relacionar e comentar algumas que foram compostas em homenagem à seleção brasileira ao longo dos tempos. Em 1919 o Brasil sediou pela primeira vez uma competição internacional, recebendo as delegações da Argentina, Chile e Uruguai para a disputa do Campeonato Sul-Americano de Futebol. As partidas aconteceram no Estádio das Laranjeiras, construído especialmente para a competição. Tendo vencido Chile e Argentina, Brasil e Uruguai chegaram à última partida em igualdade de condições. Mas o jogo terminou empatado, forçando a realização de um confronto desempate, que não teve gols, tanto no tempo normal quanto na prorrogação. A solução encontrada foi disputar um segundo tempo extra, mesmo com os jogadores completamente extenuados. Com um gol de Friedenreich, aos 3 minutos da etapa inicial da segunda prorrogação, o Brasil tornou-se campeão continental pela primeira vez, o que serviu de inspiração a Pixinguinha e Benedito Lacerda para a composição do chorinho “Um a Zero”, considerada a primeira música brasileira dedicada ao futebol. Muito tempo depois, a música ganhou letra, escrita por Nélson Ângelo, integrante do famoso Clube da Esquina. Terno da Seleção Brasileira no Campeonato Sul-Americano de 1919 (Foto: Arquivo Globoesporte) Com a criação da Copa do Mundo em 1930, o Campeonato Sul-Americano perdeu um pouco de sua importância e a seleção brasileira passou a perseguir o título mundial, alcançando o 2º lugar na derrota para o Uruguai, em 1950, no episódio conhecido como “Maracanazzo”. Foi a partir desse desastre futebolístico que, anos mais tarde, o escritor Nelson Rodrigues cunhou a expressão “complexo de vira-lata” A forra veio em 1958, com a primeira conquista do Mundial, na vitória por 5 x2 sobre a anfitriã Suécia. Em homenagem ao título, Wagner Maugeri, Maugeri Sobrinho, Victor Dagô e Lauro Muller compuseram a música “A Taça do Mundo é Nossa”, retratando o ufanismo instaurado e sepultando, pelo menos no futebol, o sentimento de inferioridade citado pelo genial jornalista e escritor. A taça do mundo é nossa Com brasileiro não há quem possa Êh eta esquadrão de ouro É bom no samba, é bom no couro Bellini ergue a taça Jules Rimet na Suécia, em 1958 (Foto: Arquivo CBF) Depois do bicampeonato no Chile em 1962 e do fracasso na Inglaterra quatro anos depois, o Brasil se preparava para a disputa no México, em plena ditadura civil-militar. E a oportunidade de faturar prestígio internacional para o regime foi aproveitada com a realização de um concurso realizado pela Rede Globo e patrocinado por anunciantes – segundo a pesquisadora Nara Damante – ou por uma cervejaria, de acordo com Ricardo Cravo Albin. A música vencedora foi “Pra frente Brasil”, atribuída ao radialista e compositor de jingles Miguel Gustavo. Entretanto, em entrevista concedida em 2002, o compositor e trombonista Raul de Souza reclamou para si a autoria da melodia, revelando que Miguel Gustavo teria sido autor somente da letra. Divergências autorais à parte, a música superou a expectativa original de ser um jingle para a primeira transmissão ao vivo de uma Copa do Mundo para o Brasil, tornando-se símbolo da seleção canarinho. De repente é aquela corrente pra frente Parece que todo o Brasil deu a mão Todos ligados na mesma emoção Tudo é um só coração Todos juntos vamos, pra frente Brasil Salve a seleção! O capitão Carlos Alberto Torres e o Presidente Médice erguem a taça Jules Rimet (Foto: Agência O Globo) Os insucessos nas Copas de 74 e 78 foram esquecidos na preparação para a edição seguinte, a ser disputada na Espanha. Sob o comando de Telê Santana, a seleção brasileira classificou-se no grupo 1 das eliminatórias sul-americanas, eliminando a Bolívia e a Venezuela com 4 vitórias, nas quais marcou 11 gols e sofreu apenas 2. O entusiasmo com a geração de Sócrates, Falcão, Cerezo, Júnior, Oscar e Zico rendeu a música “Povo Feliz”, mais conhecida por “Voa, Canarinho Voa”, composta por Memeco e Nonô do Jacarezinho, gravada pelo lateral esquerdo Júnior em um compacto simples, que tinha no labo B a música “Pagode da Seleção", composta pelo próprio jogador e por Alceu Maia. Voa, canarinho voa Mostra pra esse povo que és um rei Voa, canarinho voa Mostra lá na França o que eu já sei A música era utilizada como trilha sonora das reportagens sobre a seleção no Mundial da Espanha e o compacto da gravadora RCA-Victor vendeu mais de 700 mil cópias. Seleção Brasileira na Copa de 1982 (Foto: Arquivo CBF) Por que ouvir? As músicas aqui relacionadas retratam épocas distintas, com resultados diferentes em termos de sucesso/fracasso do futebol brasileiro no cenário mundial, além de mostrarem a forte ligação entre duas paixões nacionais: o futebol e a música. A pouco conhecida “Pagode da Seleção” faz, inclusive, uma divertida descrição da participação “musical” dos integrantes da seleção que apresentou o futebol considerado por muitos como o mais bonito do mundo, embora tenha sucumbido diante do pragmatismo da seleção italiana, no episódio que ficou conhecido como a Tragédia de Sarriá”. 🎶 Um a zero 🎼 Pixinguinha e Benedito Lacerda 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (9,0) 🎧 Clique aqui para ouvir 🎶 A taça do mundo é nossa 🎼 Wagner Maugeri, Maugeri Sobrinho, Victor Dagô e Lauro Muller 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (7,0) 🎧 Clique aqui para ouvir 🎶 Pra frente Brasil (90 milhões em ação) 🎼 Miguel Gustavo e Raul de Souza 🎵🎵🎵🎵🎵 (5,0) 🎧 Clique aqui para ouvir 🎶 Povo feliz (Voa, canarinho, voa) / Pagode da seleção 🎼 Memeco e Nonô do Jacarezinho / Alceu Maia e Júnior 🎵🎵🎵🎵 (4,0) 🎧 Clique aqui para ouvir Futebol & Música (2ª parte) Futebol & Música (3ª parte) #SeleçãoBrasileira #CopadoMundo #CopadoMundo1950 #CopadoMundo1970 #CopadoMundo1982
- O Negro no Futebol Brasileiro, a série
Entender a trajetória do negro no futebol brasileiro é também entender a dinâmica de nossa sociedade ao longo da história e nos dias atuais. Este é o ponto chave para a série documental O Negro no Futebol Brasileiro, exibida pela HBO. Baseada no livro homônimo do jornalista Mário Filho, aproveita-se do esporte para trazer olhares também sobre a cultura, sociologia e história. Em quatro capítulos, a obra contextualiza as questões raciais no Brasil e seus reflexos que perduram até hoje, trazendo o potencial que o futebol teve de quebrar os estigmas da época e ainda tem promover estas pautas. Uma história de ascensão social e afirmação do povo negro através do futebol. O resultado é um documentário bem dinâmico e atual, com imagens de arquivos e contribuição de especialistas que traçam o caminho que levou o futebol elitista e segregador a ter um jogador negro brasileiro como o melhor do mundo, bem como as questões de preconceitos raciais ainda latentes e o impacto que o futebol tem na história de nosso país e nossa cultura. A série também abre espaço para a construção dos craques brasileiros e as dificuldades envolvidas em alcançar o reconhecimento e prestígio no futebol. E ainda apresenta depoimentos de jogadores como Cláudio Adão, Romário, Dadá Maravilha, Júnior e Adriano nos aproximam de suas vivências e ajudam a entender a relevância do futebol no país e no mundo. Vale a pena assistir? Aos amantes do futebol e sua história, é claro que vale! E até mesmo aqueles que não costumam acompanhar o esporte, mas se interessam pela história do Brasil, também vão aproveitar este material que é enriquecedor em termos de imagens, acervos, depoimentos e contextualização. A invenção do estilo brasileiro de jogar futebol é uma história de lutas, a trajetória dos jogadores negros é parte essencial do nosso futebol e o futebol é parte essencial da formação da cultura e sociedade brasileira. 📽 O negro no futebol brasileiro 👤📽 Gustavo Acioli 🗓 2018 💻 HBO Avaliação: 🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬🎬 (9)
- Fair Play pra quem?
30' do segundo tempo e o placar aponta Fluminense 0x1 Vasco. O Fluminense se lança ao ataque quando um jogador do Vasco senta no gramado (veja bem, ele não cai, ele senta) sentindo dores, supostamente câimbra. O árbitro não se manifesta, os jogadores do Fluminense seguem com a bola mas os jogadores do Vasco querem que ela seja jogada para fora para que o jogador caído possa ser atendido, o famoso 'fair play'. Isso não acontece, o lance termina em tiro de meta e uma pequena discussão acontece. Tudo isso aconteceu no jogo da 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Agora vamos voltar um pouco no lance e analisar alguns detalhes. Câimbra, de fato, é algo desagradável, mas não grave. O jogador em questão poderia muito bem ter esperado o lance terminar para pedir atendimento, mas não, resolveu fazer isso justamente quando o Fluminense estava atacando. Por que, então, o time adversário deveria colocar a bola pra fora? Nao estou dizendo aqui que não devemos nos preocupar com a segurança e a saúde dos jogadores, mas quem acompanha futebol sabe muito bem quando o lance exige atenção e quando não, salvo exceções. E se nós, vendo da arquibancada ou da TV sabemos, eles em campo também sabem. E sabem que qualquer lance que envolva um choque de cabeça, por exemplo, precisa de cuidado, um lance que envolva uma simples pancada na perna, nem sempre. É simples. Quando ele realmente estiver sentido dor e precisar ser atendido você pode ter certeza que ele vai pedir ajuda rapidamente, fora isso só vai ficar rolando pelo gramado dissimuladamente com a mão na perna enquanto a bola rola. E ai do adversário se não a colocar para fora. É preciso rever isso pois já está fora de controle e perdeu o seu propósito original. O Fair Play deixou de ser sinônimo de jogo limpo e que preze pelo respeito, como pede a FIFA, para se tornar mais uma artimanha dos jogadores para ganharem tempo. A diferença disso para a "cera" é que um é feito enquanto a bola rola, o outro não. A foto escolhida para este texto foi de um desses casos emblemáticos de "falta de fair play", registrado em 2011. Após o atendimento do jogador do Palmeiras o juiz, como diz a regra, coloca a bola ao chão para que o time, como cortesia, devolva a bola ao adversário, uma vez que o jogo foi paralisado. Não foi isso que aconteceu. Com a bola ao chão Kléber então parte para o ataque pegando todos da defesa do Flamengo desprevenidos e chuta pra fora. Obviamente, todos foram para cima do atacante do Palmeiras. Após o jogo, em coletiva, Kléber disse que "fair play é hipocrisia, só é bom pra tua equipe, pra equipe dos outros não é boa" e depois cita diversos outras situações que os jogadores usam para ganhar tempo mas que não é considerada falta de fair play e vemos cotidianamente no futebol. E ele tem razão. Mandou a real quando poucos têm coragem de dizer. De lá pra cá, pouco foi discutido de fato, afinal ninguém que ser taxado de desleal e contra o "jogo limpo", como se ele fosse... Não é apenas para marcar faltas e aplicar cartões que o árbitro está em campo. É ele também que determina quando o jogo precisa ser paralisado, seja pela circunstância que for, não os jogadores. Se achar que é apenas manha segue o jogo mesmo e dane-se, é só reparar que quase sempre isso é feito quando o adversário estiver com a bola. Corre-se o risco de, de fato, ignorar uma situação que exige atenção e atendimento médicos, mas é o preço que se paga por termos desde sempre um futebol pautado pela malandragem e a catimba O Fair Play tem que acabar. Na verdade eu acho que ele nunca existiu.
- Censo JdT
O Joga de Terno quer entender melhor a audiência que acompanha a página no Facebook, Instagram e no site, por isto pela primeira vez realiza o Censo JdT. Para participar, basta acessar o link abaixo e responder as perguntas. https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSer2ZEb-IuOPuTnNGODYfI0D_M_2HcroMMCjS4SoC9dmeSewg/viewform?usp=sf_link Nos ajude a deixar o Joga de Terno ainda melhor!
- Fábio Luciano: Xerife da nação
O classudo de hoje do Joga de Terno, apesar de não ser um jogador midiático, veio para quebrar os padrões e mostrar que a classe se faz com um bom futebol. Fábio Luciano jogou em muitos clubes e conquistou alguns títulos importantes na carreira, mas tornou-se um ícone pelo bom futebol apresentado. O torcedor rubro negro sempre vai se lembrar do zagueiro pelo carinhoso apelido de Xerife. Revelado em 1996 pela Ponte Preta, o paulista nascido na cidade de Vinhedo começou a carreira como centroavante, o que lhe rendeu qualidade ofensiva e faro de gol, mas logo percebeu que tinha nascido para defender. Com ótima presença de área e força física, formou a dupla de zaga da Macaca com Ronaldão e por suas boas atuações chamou a atenção do Corinthians, clube que se transferiu em 2000. Sua primeira passagem pelo timão foi um tanto quanto tímida, apesar de ter estado no elenco campeão mundial que venceu o Vasco da Gama em janeiro de 2000, fez parte de uma lista de dispensa feita pelo então técnico Vanderlei Luxemburgo e acabou sendo emprestado ao Internacional no ano de 2001, logo após a conquista do Corinthians no campeonato paulista. Fábio Luciano chegou ao clube gaúcho com o objetivo de mostrar o seu valor e sob o comando de Carlos Alberto Parreira deu a volta por cima. Parreira foi contratado pelo timão e o zagueiro voltou com o técnico para o Parque São Jorge. A redenção veio em 2002, relacionado como titular ganhou o apelido de Xerife, e conquistou o Torneio Rio-São Paulo, a Copa do Brasil e foi vice-campeão do Campeonato Brasileiro. Em 2003, o zagueiro sagrou-se campeão paulista e após a eliminação do Corinthians na Libertadores da América foi novamente emprestado, mas dessa vez o destino foi à Turquia. No Fenerbahçe tornou-se bicampeão do Campeonato Turco. Durante a sua passagem atingiu a maior marca da carreira marcando 25 gols. Retornou em 2006 ao Corinthians com uma lesão no púbis, recuperando-se só no ano de 2007 quando acabou vendido ao Köln da Alemanha, onde fez apenas 12 jogos, sendo vendido rapidamente ao Clube de Regatas do Flamengo. Com o terno Rubro-Negro virou lenda. Fábio Luciano ganhou a confiança do técnico e caiu nas graças da torcida, chegou na metade do Campeonato Brasileiro de 2007, e foi um dos destaques do elenco que tirou o Flamengo do rebaixamento e terminou o campeonato em terceiro lugar. Capitão e xerife do time carioca se manteve em ação com um futebol de alto nível até o ano de 2009. Se aposentou após o título do carioca em cima do Botafogo e até hoje é considerado um dos melhores zagueiros da história do Flamengo. Por que jogava de terno? Ficou marcado na história do Flamengo pela liderança, raça e força física, um zagueiro que errava poucos botes. Seu ótimo posicionamento e presença de área tornaram-se qualidades tanto na defesa quanto no ataque. Em toda a carreira o zagueiro atingiu a marca de 51 gols. Pela seleção Fábio Luciano atuou apenas duas vezes e ainda conquistou a bola de prata da Revista Placar no ano de 2002. No clube da Gávea ele ainda é carinhosamente chamado de Xerife. O Xerife da Nação. 👤 Fábio Luciano 👶 29 de abril de 1975 🏠 Brasileiro 👕 Ponte Preta (BRA), Corinthians (BRA), Internacional (BRA), Fenerbahçe (TUR), Köln (ALE), Flamengo (BRA) e Seleção Brasileira. 🏆 (Principais) Mundial de Clubes da FIFA 00, Copa do Brasil 02 (Corinthians), Campeonato Turco 03/04 e 04/05 (Fenerbahçe). 👑 Sem títulos individuais de destaque. Classômetro: 👔👔👔👔👔👔 (6,7) 📷 André Mourão/Gazeta #PontePreta #Corinthians #Internacional #Fenerbahçe #Flamengo #SeleçãoBrasileira #Brasil #Zagueiro
- Boteco JDT - A memória do futebol eternizada no Instagram
Hoje vamos usar nosso espaço para divulgar outros 4 trabalhos feitos no Instagram. São páginas que fazem um trabalho bacana de resgate à memória do futebol e também de informar e, por que não, divertir? São todas páginas parceiras do Joga de Terno e que recomendamos que sigam @declassebr Vamos começar em grande estilo com um trabalho muito criativo e original que envolve muitas cores e poucas palavras. Jogadores e cenas marcantes do nosso esporte predileto são feitas com muito zelo como se fossem pintados à mão. @timeshistoricos Esse é auto-explicativo. Diariamente times que marcaram época, conquistaram títulos ou não. Daquele esquadrão que ganhou tudo àquele time que poucos se lembram, todos eles estarão aqui. @omundodosboleiros Criado por dois irmãos apaixonados por futebol, o Mundo dos Boleiros aborda o futebol de uma maneira diferente em seu conteúdo. Dribles, gols e lances bonitos são publicados diariamente no Instagram da página. Sempre com humor e descontração, trazem o lado boleiro (aquele que joga futebol) em seus conteúdos, mas deixam de lado o tom descontraído quando se trata das crônicas escritas pelos irmãos. @eternizoufc O Eternizou FC surgiu com a proposta de eternizar momentos do futebol. A página busca também trazer a tona histórias que não são tão divulgadas no meio futebolístico, além de dados e curiosidades que envolvem os times e pessoas que fazem parte desse esporte tão amado. E você, conhece outros trabalhos que sejam interessantes e criativos na internet? Marque aí nos comentários pra gente conhecer e compartilhar com mais gente
- Por liberdade e democracia
Quando eu criei o Joga de Terno, sempre tive em mente dois pilares básicos que até hoje sustentam esse projeto: futebol e jornalismo. Por algumas vezes, nós fugimos do primeiro (falamos de outros esportes, videogame, séries, política etc) mas jamais do segundo. Nunca nos rendemos à tentação de ganhar seguidores de forma fácil e rápida com memes, "decretos" e outras aleatoriedades, nosso público é pequeno e seleto e hoje, com este manifesto, sabemos que ele pode diminuir. Tudo bem. Acontece que, pelo jornalismo que nos move, decidimos deixar o futebol de lado e falar do momento em que vivemos. Vivemos tempos em que o ódio, a intolerância, a censura e o medo têm dado as cartas na mesa e, nesse jogo, estamos todos perdendo. Mas nós não vamos aqui ficar apenas esperando que o pior aconteça e esse clima de caos anunciado diariamente na imprensa vire rotina. Não é exagero, não são casos isolados, é real. O tão temido fascismo de que tanto falamos não surge de uma hora para outra. Não o ignore, não o menospreze, não ache que isso nunca vai acontecer, pois é exatamente na incredulidade que ele cresce e se não agirmos antes de envolver todas as esferas da sociedade (e isso envolve nossas instituições) pode ser tarde demais. É por isso que estamos nos posicionando antes mesmo do resultado das urnas. Ficar em cima do muro nunca foi nossa intenção, afinal. Há duas propostas apresentadas e nenhuma delas parece ser a ideal, dados seus nomes (e partidos) por trás delas. Mas uma delas, em especial, e a que acreditamos ser mais perigosa a tudo que há de mais importante em uma sociedade: liberdade. Liberdade de ideologias, de opiniões, de ser quem você quiser ser e de decidir o nosso próprio futuro. É isso o que forma uma democracia, que agora estremece. E sem democracia, não existe liberdade de imprensa, e sem liberdade de imprensa, não existe jornalismo. Sem jornalismo, perdemos um de nossos pilares do Joga de Terno. Por tudo isso, o Joga de Terno não vota 17.
- White, Blue and White
Produções audiovisuais também contam histórias e são responsáveis por transmitir sensações diversas aos amantes do futebol. Quem nunca se emocionou ao rever aquele gol do título? Ou a entrevista com o ídolo do time do coração? O JdT de hoje é sobre um documentário que não tem o propósito de narrar momentos de um clube específico, mas relembra fatos importantes para a história do futebol. Esses acompanham a carreira de Osvaldo Ardiles, o classudo que ficou dividido entre dois ternos: o branco e o azul e branco. White, Blue and White foi produzido para a série ESPN 30 for 30: Soccer Storie e tem como foco principal o conflito interno do jogador diante da Guerra das Malvinas em 82. A narrativa conta com depoimentos que reconstroem a participação de Ardiles na Copa de 78. O título argentino é lembrado através de memoráveis imagens dos jogos, sobretudo a final, contra a Holanda. A Argentina enfrentava a ditadura militar no ano da conquista, a tensão entre futebol e política é constantemente colocada por profissionais e pelo próprio jogador. Após a conquista o meio-campista e seu companheiro de quarto Ricky Villa partem para o Tottenham Hotspur, da Inglaterra. O clube retornava à primeira divisão inglesa com atitude ousada: contratar jogadores sul-americanos com caraterísticas técnicas bem diferentes das dos volantes da equipe. Para alegria dos Spurs a mescla de futebol inglês e argentino deu certo e a equipe conquistou a Copa da Inglaterra sob o Manchester City em 81. A dupla caiu na graça dos torcedores. Com a eclosão do conflito entre Argentina e Inglaterra, imprensa e torcida pedem posicionamento dos jogadores. O desenvolvimento do documentário se concentra no drama vivido por Ardiles, a ambientação realizada permite ao público reviver seus momentos de aflição. É notável como sua relação com os Spurs é exaltada desde o início da produção. Narrações e imagens da época mostram que, apesar das tensões, a torcida do Tottenham adotou “Ossie” como sua pátria. Uma faixa com os dizeres “A Argentina que fique com as Ilhas Malvinas, nós ficamos com Ossie” aparece e reforça a relação entre time e jogador. O fato de ter pedido transferência do clube inglês não fez do classudo menos ídolo, pelo contrário, foi muito bem recebido em sua volta à Inglaterra. Osvaldo Ardiles não deixou de ser respeitado na Argentina. A construção de sua imagem nos dois países envolvidos evidencia isso. A qualidade técnica do jogador é destacada, seus passes trouxeram novidade para um Tottenham que buscava novo futebol, reconhecimento. É inegável como contribuiu para a junção entre o futebol argentino e inglês em um momento que as barreiras entre os dois países iam além das divisas territoriais. Vale a pena assistir? Sim. White, Blue and White representa mais que uma dúvida sobre com qual terno jogar. Mostra, de forma sensível, como as relações no futebol são condicionadas por fatores políticos e como atuam na carreira dos jogadores. Os românticos do esporte diriam que o documentário também é sobre amor à camisa e valores que ultrapassam fronteiras de países “inimigos”. A série ESPN 30 for 30: Soccer Storie conta com dois longas-metragens e outros cinco documentários sobre o cenário futebolístico internacional, lendas como Mané Garrincha e Diego Maradona aparecem neles. Vale a pena dar uma conferida. 🎥 White, Blue and White 👤🎥 Camilo Antolini 📅 2014 💻 Youtube 🎬🎬🎬🎬🎬🎬 (6,7) 📷 Divulgação #Tottenham #SeleçãoArgentina #MeioCampo #CopadoMundo1978
- Pavão fez um passe e depois morreu
O título parece manchete de jornal e é mesmo. Foi assim que um dos principais cadernos esportivos de Portugal noticiava a morte do um dia capitão do Porto Fernando Pascoal Neves, o Pavão. Sua morte aconteceu durante a parida do Porto diante o Vitória de Setúbal. Era a 13ª rodada do campeonato português de 1973/74. Coincidentemente, Pavão caiu no gramado no minuto 13 do jogo. Obviamente, Pavão não lembrado apenas pela sua morte durante a partida. O meio-campista dos dragões já tinha uma sólida história no cenário português, sobretudo portista e naquela temporada, era cotado no Manchester United. Antes disso, foi um promissor meia do G. D. Chaves, time de sua cidade natal. Com 17 anos, em 1964, integrou a equipe de juniores do Porto. Sua estreia no time principal foi em 1965, mesmo ano em que ganhou seu primeiro título como profissional, a Taça da Associação de Futebol do Porto. Desse dia até 73, anos de sua morte, Pavão participou de momentos históricos para os Dragões, como a inauguração do Estádio do Morumbi, na partida vencida pelo São Paulo em 1x0. Pavão não teve o tempo necessário para marcar definitivamente sua história no futebol graças à fatalidade ocorrida naquela tarde de dezembro no Estádio das Antas. Naquele dia, quando o jogador caiu desfalecido no gramado, foi levado para o hospital e assim que a partida terminou - com vitória dos dragões por 2x0 - o que se viu um tremendo silêncio nas Antas. Naquela altura, o Porto seguia bem no torneio e era a estreia do craque peruano Cubillas. Uma tragédia que acabou com uma bonita festa naquela tarde cinzenta. Sua morte nunca foi dada com certeza. Suas condições físicas eram impecáveis. Na época, dizia-se que uma veia perto do crânio se rompeu graças a alguma cabeçada na bola. Por que jogava de terno? Pavão foi um meia que atuava também na lateral direita. Suas façanhas sempre foram lembradas por seu brio dentro de campo e honradez em se vestir a camisa azul e branca do Porto. Há relatos que ele abdicou da braçadeira de capitão, que ostentou no braço por duas temporadas, depois de entrar em conflito com um árbitro e pegar um gancho de 6 partidas por isso. Seu apelido, veio ao fato de abrir os braços para poder driblar os adversários sem perder o equilíbrio. Uma classe mais de postura do que de desenvoltura com a bola. 👤 Fernando Pascoal Neves 👶 12 de julho de 1947 (falecido em 16 de dezembro de 1973 aos 26 anos) 🏠 Português 👕 Porto e Seleção portuguesa 🏆 Taça de Portugal: 67/68 👑 Sem prêmios individuais Classômetro: 👔👔👔👔👔 (5) 📷 MemoriaAzul.com #Porto #SeleçãoPortuguesa #MeioCampo #Lateralesquerdo
- A democracia é a melhor forma de governo para 69% dos brasileiros
Esse é resultado de uma pesquisa recente divulgada pelo Datafolha. Por mais incrível que pareça, esta é a maior aprovação em trinta anos do regime que tem o povo e a igualdade pelo voto como valor principal. Antes disso, enquanto os militares ainda comandavam o país, muitos movimentos surgiram justamente para lutar por esses direitos. Entre eles, aquele que ficou conhecido como a Democracia Corinthiana. O final de 1981 deixava um sentimento amargurado nos torcedores e jogadores corintianos. O clube se encontrava rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro depois de terminar em oitavo lugar no campeonato estadual e 26° no nacional. Mas a chegada de Waldemar Pires e a movimentação de jogadores mudou a gestão autocentrada para uma compartilhada e fez história no futebol brasileiro. O Corinthians ficou por muito tempo alternando entre dois comandos e Waldemar Pires a princípio seria um dirigente apenas para cumprir formalidades enquanto Vicente Mateus mantinha sua influência. Entretanto, resolveu assumir seu posto de fato e realizou ações como trazer o sociólogo Adílson Monteiro Alves para a diretoria. Ali, foi o encontro de pessoas certas na hora certa, como depois classificaria o jornalista Juca Kfouri. Encabeçados pelos jogadores Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon, o clube iniciou uma autogestão onde os assuntos administrativos eram debatidos e a tomada de decisões no futebol era descentralizada e contava com a opinião de todos: jogadores, comissão, dirigentes, funcionários, todos tinham o direito ao voto e com peso igual. Estava instaurada a Democracia Corinthiana. Por dois anos, o lema “Ganhar ou perder, mas com democracia” deixava claro que, mais importante que títulos, era ter as decisões compartilhadas com igualdade. Para entender um pouco do impacto que essa atmosfera inédita causava não só no universo do futebol, é preciso lembrar que o país vivia nesta época sob ditadura militar e que o direito ao voto era negado aos brasileiros. Sendo assim, o time entrava em campo também pela redemocratização do país com dizeres nas camisas pedindo pelas Diretas Já, ganhando apoio da torcida. O clima no Parque São Jorge proporcionou as conquistas do Campeonato Paulista de 1982 e 1983, além da disputa das semifinais de um Brasileiro e a quitação das dividas do clube. E, ainda que se diga que não tenha gerado mudanças diretas na sociedade naquele momento (as eleições diretas só aconteceriam em 1989) e nem na gestão dos clubes de futebol como um todo (a chegada do clube dos 13 e um racha exposto no elenco em 1985 colocava fim no movimento), o Corinthians experimentou uma vivência que envolvia a todos e o colocava como uma força política e popular, que marcou época na luta pela igualdade e progresso ideológico, representando na prática que o futebol pode movimentar e contribuir para a evolução de um povo. 📷 Divulgação - Corinthians #Corinthians









