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- Uma breve análise do Flamengo em 2018: Um ano frustrante de novo
Para a torcida do Flamengo, não existe meio termo. Ou as coisas estão ótimas ou estão péssimas. Em 2018, não foi diferente. O clube viveu essa montanha russa, alternando entre momentos de bom futebol que iludiram os rubro-negros e outros em que a equipe se comportava de forma apática, que deixavam até os mais otimistas desconfiados. O clube exemplo de gestão financeira não conseguiu levar isso para dentro de campo. O departamento de futebol começou 2018 com o anúncio da saída de Reinaldo Rueda para a seleção chilena. E Carpegiani, que chegou para ser coordenador técnico, virou treinador. Depois disso, demorou para três meses para efetivar Maurício Barbieri, demitido após a eliminação na Copa do Brasil. As quedas no estadual, Libertadores e Copa do Brasil, e os pontos bobos desperdiçados no Brasileirão, foram decepcionantes. O Flamengo merece mais do que isso. 👍🏻 Pontos positivos - Ser vice-campeão de um campeonato difícil como o Brasileirão; - A negociação de Vinicius Jr., Vizeu e Paquetá mostram que a base rubro-negra também ganhou novo fôlego. 👎🏻 Pontos Negativos - Indefinição de treinadores; - Time instável; - Falta de poder de decisão em jogos de mata-mata, - Insistência em jogadores que não dão resultado; - Falta de planejamento para substituir Vinícius Júnior; - Falta de títulos; - Desgaste com jogadores como Diego Alves; - O custo alto em se jogar no Maracanã. Expectativa para 2019: 🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆- - - (7) #Flamengo
- Uma breve análise do Cruzeiro em 2018: O Hexa veio
O ano de 2018 para o Cruzeiro começou com grandes investimentos, expectativa e com um ambiente bastante descontraído na pré-temporada. Mas quase que tudo desandou com o abaixo do esperado na Libertadores, com apenas dois pontos nos três primeiros jogos e com a derrota no primeiro jogo da final do campeonato mineiro. Mas duas mudanças fizeram com que o desempenho do time melhorasse: Dedé entrou e acertou a defesa do time; e no meio campo Lucas Silva que estava “encostado” no elenco ganhou a vaga de titular. Com a recuperação na Libertadores e o título mineiro o ambiente do clube melhorou. O Cruzeiro desde o início da temporada tinha como foco a Libertadores e a Copa do Brasil, o que ficou claro com as escalações mistas no Brasileirão. Barcos chegou no meio da temporada para suprir as ausências por lesão de Fred e Sassá, e acabou sendo peça fundamental na conquista da Copa do Brasil sendo o autor dos dois gols nas partidas contra o Palmeiras na semifinal. A ótima temporada de Arrascaeta também foi fator importante para a conquista da competição. O primeiro jogo contra o Boca ficou marcado pela decisão mais ridícula da história do VAR, fato que a torcida celeste ainda não esqueceu. 👍🏻 Pontos positivos - A conexão criada entre a torcida e o time nos jogos da Copa do Brasil, que terminou com a conquista do hexacampeonato. - Poder de decisão e liderança de peças chave do elenco. - O desempenho nas partidas fora de casa nos jogos mata-mata. - Dedé livre das lesões e atuando em alto nível. 👎🏻 Pontos Negativos - A eliminação na Libertadores. - Desempenho do ataque no brasileirão - Oscilação do futebol apresentado por alguns jogadores. Expectativa para 2019: 🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆🏆 - - (8) #Cruzeiro
- Uma breve análise do Corinthians em 2018: Mal acostumado
“Você me deixou, mal acostumado…” esse é o sentimento de todo corinthiano com o término da temporada de 2018. Não que o ano tenha sido completamente horripilante para nós mas com certeza foi um dos piores desde que iniciamos a reconstrução do Corinthians dez anos atrás na série B. O ano de 2018 começou em um misto de euforia e preocupação. Felicidade com o título brasileiro de 2017 porém cautelosos com as movimentações do mercado da bola. Apesar de conseguir segurar peças importantes no elenco, as saídas de Pablo, Arana e Jô viriam a ser a principal dor de cabeça da torcida alvinegra durante o ano O início do ano foi empolgante, vencemos o principal rival em uma final bem empolgante que rende polêmica até hoje. Se dependesse do meu lado torcedor meu resumo da temporada terminava aqui, deste ponto em diante devo terminar de escrever por obrigação do ofício pois sinceramente, preferia esquecer o resto do ano. Após a eliminação na Copa Libertadores as coisas desandaram. Houve um desentendimento entre o presidente Andrés Sanchez e o técnico Fábio Carille. Sendo assim, o treinador decidiu embarcar em um novo projeto no Egito. Até mesmo a final da Copa do Brasil diante do Cruzeiro teve gosto amargo na boca do torcedor, definitivamente torcer para o Corinthians esse ano foi como estar em uma montanha russa, com muitos mais baixos do que altos. Momentos tão baixos que por um desses momentos se cogitou até série B. O ano termina assim como começou, com um misto de euforia e preocupação, o retorno do Carille e a chegada de Ramiro são o que mais dão esperança ao torcedor de concreto, outros nomes podem aparecer e melhorar a situação. 2019 é um ano de recomeço e a principal missão alvinegra é se reestruturar em campo e garantir vaga na Libertadores de 2020. 👍🏻 Pontos positivos: - Campeão Paulista - Vice-campeão da Copa do Brasil - Brilho individual de Pedrinho. 👎🏻 Pontos negativos - Perda dos principais nomes de 2017 - Má recomposição do elenco. Expectativa para 2019: 🏆🏆🏆🏆🏆🏆---- (6) #Corinthians
- Uma breve análise do Botafogo em 2018: Um ano ruim, pero no mucho
Falar que o ano do Botafogo foi ruim é exagero. Bem como não dá para cravar que o ano foi bom. Um time de meio de tabela merece um balanço de time de meio de tabela. Verdade seja dita, se olhar os pontos positivos e os negativos, a balança penderá sim para um lado. Na verdade, penderá bem para o lado ruim. O primeiro ano do mandato de Nelson Mufarrej não foi um paraíso e teve sim suas crises. Crise que seu antecessor e apoiador Carlos Eduardo Pereira, o popular CEP, não teve ao longo de seu triênio (mesmo com uma série B). Ainda que envolto de tempestades, o time seguiu tanto quanto cambaleante o ano de 2018, mas longe de um tropeço que fizesse seus torcedores de fato temer por algo de pior – embora houvesse um certo alvoroço ao longo do Brasileirão, a ameaça de Z4 nunca se concretizou. Talvez a maior perda para o time da estrela solitária foi justamente um ganho. Saiu de cena aquele que por vezes se transvestiu do facho de luz que guiasse a equipe pela estrada dos louros: Jefferson aposentou e entrou definitivamente para o hall de ídolos do passado do Botafogo. Perdeu uma referência em campo, ganhou mais uma reverência na sua história. 👍🏻 Pontos positivos - Conquista do Campeonato Carioca; 👎🏻 Pontos Negativos - A constante troca de técnicos (4 ao longo do ano), - Aposentadoria de Jefferson - Instabilidade no Campeonato Brasileiro. - Eliminação diante do Aparecidense na Primeira fase da Copa do Brasil. Expectativa para 2019: 🏆🏆🏆🏆🏆- - - - - (5) #Botafogo
- Uma breve análise do Bahia em 2018: Um ano linear
O tricolor de aço há um tempo não luta contra o fantasma do rebaixamento. Assim como em 2017, a luta do Bahia foi para confirmar a vaga na sul-americana e talvez beliscar uma vaguinha na libertadores. O início do ano foi empolgante, no campeonato estadual o time nadou a braçadas largas e na final deu um show de futebol e coragem após vencer duas vezes o rival com direito a colocar o Vitória pra expulsar seus jogadores e assim não tomar uma goleada em pleno Barradão. Ao longo do ano, apesar das eliminações nas copas (do Brasil e Sulamericana), fez uma campanha digna sendo eliminado com muita dificuldade pelo Palmeiras e pelo Atlético-PR respectivamente. No Brasileirão, conseguiu se manter na média e fazendo partidas interessantes e conseguindo pontos importantes que o classificou para Sul americano e manteve longe o fantasma do rebaixamento. 👍🏻Pontos positivos - A organização administrativa do clube; - Contratações pontuais como Nino Paraíba e Douglas Frederich; - Ramires e Marco Antônio como revelações. 👎🏻 Pontos Negativos - Zé Rafael apagado em momentos decisivos. Expectativa para 2019: 🏆🏆🏆🏆🏆🏆- - - - (6) #Bahia
- Uma breve análise do Atlético-MG - desempenho meia-boca
Os maus resultados iniciais abateram Oswaldo Oliveira antes mesmo do término do Campeonato Mineiro. Aos trancos e barrancos, Thiago Larghi levou a equipe à final e quase fica com o título. Na Copa do Brasil o Atlético chegou às oitavas, disputando também a 1ª fase da Sul-Americana. Utilizando um time recheado de reservas foi eliminado nesta competição e, dias depois, caiu também na CdB. Apesar disso, a campanha no Brasileirão era razoável, atingindo a 1ª colocação na rodada 6. Depois da Copa o Galo caiu bastante de produção, principalmente devido à contusão de Gustavo Blanco, saída de Roger Guedes, queda de produção de alguns jogadores e, principalmente, à fragilidade da zaga. Mas mantinha-se como o ataque mais positivo e entre os 6 primeiros colocados. Para garantir a vaga para a pré-Libertadores, Thiago Larghi foi dispensado após a rodada 29, assumindo Levir Culpi. Na 6ª posição desde a rodada 20 (ocupou a 5ª na rodada 24), o Galo terminou o Brasileirão 2 pontos à frente do Atlético-PR, graças à incompetência dos demais aspirantes à vaga, já que perdeu 6 e empatou 4 das 18 últimas partidas. Ou seja, os números mostram que a troca de técnico não foi decisiva para a classificação. O que esperar para 2019: Tempos difíceis. Com muitas dívidas e pouco dinheiro, o Galo vai ter, já nos primeiros 2 meses, o Estadual e a(s) fase(s) preliminares da Libertadores, mas a torcida alvinegra não admitiria uma queda precoce na principal competição do continente. Usar o Mineiro para dar mais “casca” aos mais jovens e oportunidade aos reservas imediatos parece ser a melhor estratégia, mas é preciso pensar em pelo menos 3 reforços em condições de titularidade para buscar presença na fase de grupos da Libertadores. A partir daí a estratégia deve ser pensada com calma, mas não há condições de brigar pelo título nacional. 👍🏻 Pontos positivos: - Contratação de Chará e Gustavo Blanco - Alguns poucos jogos em que o potencial do time realmente apareceu 👎🏻 Pontos Negativos: - Contratações desastrosas - Apostas duvidosas, frutos da péssima gerência do departamento de futebol. Expectativa para 2019: 🏆🏆🏆🏆🏆🏆---- (6) #AtléticoMG
- E desde quando a Portuguesa é inocente?
AVISO: esse texto foi escrito por um membro da equipe e não representa necessariamente a opinião do JdT Todo ano, próximo da data em que estamos, o 'Caso Héverton' em 2013 ressurge na imprensa, seja pela falta da conclusão da investigação que apontaria o verdadeiro culpado por pagar a Portuguesa para escalar o jogador em situação irregular propositalmente, ou mesmo da própria situação da Lusa, que a cada ano acumula rebaixamentos, afunda em dívidas, e vê sua história cada vez mais escrever capítulos tenebrosos de um clube outrora importante no cenário nacional. Mesmo 5 anos depois, os comentários sobre isso permanecem os mesmos. Acusam Flamengo e Fluminense (os principais suspeitos), CBF, STJD e dizem que eles são os responsáveis pelo atual momento da Portuguesa. Dizem que eles acabaram com a Lusa, mostram pena, raiva, compaixão... Mas peraí, a Portuguesa foi obrigada a escalar um jogador de forma irregular? Ela é inocente nessa história? Não e não! Ela se tornou CORRUPTA a partir do momento que aceitou uma vantagem qualquer que a beneficiaria de forma ilícita. PAUSA Obviamente o CLUBE Portuguesa não é o culpado, a torcida não é, a diretoria daquela época sim. Mas e aí? Ela foi punida, perdeu os pontos e foi rebaixada. E tá errado? O que aconteceu a partir daí foi resultado de um processo natural de um clube que não soube lidar com uma crise institucional. Não torço contra a Portuguesa, mas também não passo pano como fazem esses torcedores. Ela foi punida porque assim era necessário. É assim que as coisas funcionam. Lembram da morte do jogador Serginho em 2004? O São Caetano foi punido com a perda de pontos, rebaixado, e nunca mais foi visto por aí. Pela lógica de alguns então apenas o departamento médico deveria ser punido não o clube... Em um país marcado por corrupção na política e nós tão acostumados a apontar os dedos para quem abre mão de sua honra por dinheiro, aqui parece que esquecemos disso, baseado apenas em um ódio cego a dois clubes do Rio de Janeiro já acostumados a receber críticas vindas de toda parte e por todo motivo. Muitas delas, aliás, de pessoas que não fazem a menor ideia do que dizem, apenas replicam o que ouvem por aí, não pesquisam, não se informam. E em dezembro de 2019 vai fazer tudo isso novamente, até que se apontem os verdadeiros culpados. Eu gostaria muito que isso acontecesse mas, como disse, em um país marcado por corrupção na política... 📷 Futura Press #Portuguesa
- Boteco JDT: As obras sobre Heleno
O Joga de Terno já teve a oportunidade de falar sobre Heleno de Freitas. Um dos primeiros nomes que a página propôs a falar sobre foi o grande ídolo botafoguense antes da era Garrincha. Heleno não só chamava atenção pelo futebol. Foi também pelo seu charme, a vida de bon vivant e o temperamento que o classifica como um dos primeiros jogadores-problema do Brasil. Por ser uma grande personalidade da então capital federal na década de 40, Heleno ganhou homenagens póstumas baseadas em sua vida. Talvez a primeira delas foi a peça "Um homem chamado Gilda" que ficou em cartaz pelo Brasil na década de 90. Mas as duas principais obras sobre o galante goleador certamente foram "Nunca houve um homem como Heleno", livro do escritor Marcos Eduardo Neves e o filme "Heleno: o príncipe maldito" de José Henrique Fonseca e com Rodrigo Santoro na pele do craque. É dessas duas obras que falaremos. O livro, lançado em 2006, é o primeiro registro bibliográfico de Heleno. E talvez por isso é a literatura mais completa que existe sobre o craque. Segue a linha básica que podemos ler em biografias gerais: de forma cronológica. Eduardo Neves se preocupa em ambientar seu leitor tanto sobre a pacata São João Nepomuceno, onde Heleno nasceu, quanto o Rio de Janeiro, onde se destacou e ainda Barbacena, onde morreu. Cada uma dessas cidades tem fundamental importância para a vida do artilheiro e não é pra menos. Já o filme não se preocupa tanto com isso. Heleno surge em tela moribundo e logo em seguida temos o vigor do jovem em plena carreira. A película vai alterando assim a histórica do craque, uma hora no futuro, no pesado ambiente do manicômio mineiro onde Heleno morreu e no passado, aquela quando o jogador viveu seu auge. Algumas liberdades foram tomadas no filme: a primeira delas é a esposa de Heleno, vivida por Aline Morais. A personagem Silvia não existiu. No livro sabemos que se trata de Ilma, real esposa e mãe de seu único filho. Ilma na verdade é meio que inspiração para Silvia, mas nem tudo ali é realidade, como, por exemplo, as visitas a Heleno em Barbacena, que na verdade, nunca aconteceram. Entre o real e as liberdades, temos duas obras que tentam retratar o que foi um dia o personagem máximo do futebol brasileiro. Heleno foi complexo: um cavaleiro das noites cariocas da década de 40 e um arrogante dentro de campo, mas fortemente ligado ao seu clube de coração e onde mais se promoveu: o Botafogo. Vale a pena ler e assistir? "Nunca Houve um homem como Heleno" é certamente uma das frases mais marcantes e bonitas da literatura futebolística. Não só pelas palavras, mas por traduzir de forma tão solene uma personalidade complexa quanto Heleno de Freitas. O leitor vai não só ter um emaranhado de informações sobre o ídolo botafoguense como também conhecer um pouco mais da vida carioca e o retrato daquele futebol brasileiro que se viu sem disputar copas em 40. Já o filme se esforça ao máximo para ambientar seu espectador - utilizando inclusive filmagens inteiramente preto e branco. Consegue, mas talvez, pelo recort #Helenodefreitas #Garrincha #NiltonSantos #Botafogo #RodrigoSantoro
- FUTEBOL & MÚSICA: 3ª PARTE
Na terceira e última parte desta série, o JdT presta homenagem ao Anjo de Pernas Tortas, com duas músicas compostas nos anos 1960/1970, ambas recheadas de nostalgia e com histórias muito interessantes. Em seguida duas músicas que fazem referência ao futebol: a primeira de modo genérico, cheia de lirismo, e a segunda relacionada a um episódio interessante da história da seleção brasileira, mas numa pegada de humor. Garrincha é considerado o mais habilidoso jogador de toda a história do futebol e, na maior parte de sua carreira, vestiu o terno do Botafogo enquanto simultaneamente deslumbrava o mundo inteiro com a camisa da seleção brasileira. Já em fase decadente, sofreu a primeira derrota pela equipe nacional, quando perdemos por 3x1 para a Hungria, na Copa do Mundo de 1966. Um ano depois, Sérgio Ricardo inscreveu e classificou a música “Beto bom de bola” para a final do 3º Festival de Música Popular Brasileira, organizado pela TV Record. Nem todo mundo sabe que a música foi composta em homenagem a Garrincha, até porque a associação mais imediata é feita com a épica vaia que a canção recebeu e, mais ainda, com a reação do cantor/compositor que, irritado por não ter conseguido apresentar a música, quebrou seu violão e atirou os destroços sobre a plateia, sendo desclassificado da competição musical. E foi pra Copa, buscar a glória, E fez feliz a nação no maior lance da história. Atenção, Beto com a bola, avança o furacão Zero a zero no placar, é grande a confusão Vai levando a Leonor, rompendo a marcação Driblou dois e agora invade a zona do agrião Leva um chute na canela e vai parar no chão Se levanta ainda com a bola, domina o balão Capengando dribla o beque, que petardo, pimba! Gooooool !! E foi beijar o véu da noiva, o Brasil campeão! É, é, é, ou não é? Brasil bicampeão! É, é, é, ou não é? Brasil bicampeão! A alusão é direta ao protagonismo de Garrincha na Copa de 1962, mas em seguida aborda criticamente a memória nacional daqueles que um dia endeusam seus ídolos para relegá-los ao esquecimento em pouco tempo. Além disso, retrata a solidão daqueles que, de alguma forma, não souberam (ou não conseguiram) lidar com a fama e a glória. E foi-se a Copa, e foi-se a glória, E a nação se esqueceu do maior craque da história Quando bate a nostalgia, bate noite escura Mãos no bolso e a cabeça baixa, sem procura Beto vai chutando pedra Cheio de amargura Num terreno tão baldio o quanto a vida é dura Onde outrora foi seu campo de uma aurora pura Chão batido, pé descalço, mas sem desventura Contusão, esquecimento, glória não perdura Mas, se por um lado o bem se acaba O mal também tem cura É, é, é, ou não é? O mal também tem cura É, é, é, ou não é? O mal também tem cura Homem não chora por fim de glória Dá seu recado enquanto durar sua história Homem não chora por fim de glória Dá seu recado enquanto durar sua história Garrincha cercado por adversários na Copa de 1962 (Reprodução: Arquivo Nacional) A outra música dedicada a Garrincha é “Balada Número 7”, composta por Alberto Luiz e lançada por Moacyr Franco, em 1971, época em que, já sentindo os efeitos do alcoolismo, Garrincha tinha praticamente encerrado sua carreira profissional. A história dessa composição, entretanto, tem uma curiosidade narrada por Moacyr Franco em algumas entrevistas. Originalmente a música foi feita como uma homenagem a Ipojucã, meia-atacante e 5º maior artilheiro da história do Vasco da Gama, clube que defendeu de 1945 a 1954, e que também vestiu o terno da Portuguesa entre 1955 e 1958. Imaginada como um hino ao jogador de futebol, teve sua letra modificada por sugestão de Moacyr Franco, de modo a homenagear a “Alegria do Povo”, como Mané Garrincha era conhecido. Sua ilusão entra em campo no estádio vazio, Uma torcida de sonhos aplaude talvez, O velho atleta recorda as jogadas felizes, Mata a saudade no peito driblando a emoção. Hoje outros craques repetem as suas jogadas, Ainda na rede balança seu último gol, Mas pela vida impedido parou, E para sempre o jogo acabou, Suas pernas cansadas correram pro nada, E o time do tempo ganhou. O tom nostálgico da letra, junto com a melodia, transformou a música em uma bela e emocionante homenagem, que retrata também a transitoriedade da fama e do sucesso de um jogador de futebol, quase sempre acompanhada pela solidão após o encerramento da carreira. Ergue seus braços e corre outra vez no gramado, Vai tabelando o seu sonho e lembrando o passado, No campeonato da recordação faz distintivo do seu coração, Que as jornadas da vida, são bolas de sonho Que o craque do tempo, chutou. Cadê você, cadê você, você passou, O que era doce, o que não era se acabou, Cadê você, cadê você, você passou, No vídeo tape do sonho, a história gravou. Garrincha, o "Anjo de Pernas Tortas" (Reprodução: Blog Terceiro Tempo) Saindo das músicas compostas em homenagem a jogadores específicos, esta série não poderia deixar de mencionar uma música que tem como inspiração a magia do futebol, de uma maneira geral, mas que também presta homenagem a alguns grandes artistas da bola. Para estufar esse filó, como eu sonhei Só se eu fosse o Rei Para tirar efeito igual ao jogador Qual Compositor Para aplicar uma firula exata Que pintor para emplacar em que pinacoteca, nega Pintura mais fundamental que um chute a gol Com precisão de flecha e folha seca Chico adota imagens poéticas para estabelecer comparação de jogadas com obras de arte de outras áreas e termina citando Mané Garrincha, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro. Para avançar na vaga geometria O corredor na paralela do impossível, minha nega No sentimento diagonal do homem-gol Rasgando o chão e costurando a linha Parábola do homem comum roçando o céu Um senhor chapéu Para delírio das gerais no coliseu Mas, que rei sou eu Para anular a natural catimba do cantor Paralisando esta canção capenga, nega Para captar o visual de um chute a gol E a emoção da ideia quando ginga Para Mané para Didi, para Mané, Mané para Didi, para Mané para Didi, Para Pagão, para Pelé e Canhoteiro Encontro: Música & Futebol, Chico Buarque & Pelé (Reprodução Bem Blogado) Dois anos depois da despedida de Pelé da seleção (18/07/1971) – e exatos 12 meses antes do início da Copa de 1974, a seleção brasileira ainda não havia definido seu substituto. Na preparação para o mundial, o Brasil disputou 9 partidas na Europa e África do Norte, com 6 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. O retrospecto positivo, entretanto, foi ofuscado pelo fraco futebol apresentado e, principalmente, pelas duras críticas ao técnico Zagallo, que relacionou muitos jogadores do Botafogo e também deu oportunidade a outros que não corresponderam em campo. Desculpe seu Zagallo Mexe nesse time que tá muito fraco Levaram uma flecha, esqueceram o arco Botaram muito fogo e sopraram o furacão Que nem saiu do chão Desculpe seu Zagalo Puseram uma palhinha na sua fogueira E se não fosse a força desse pau pereira Comiam um frango assado lá na jaula do leão Com muito humor, a música “Camisa 10”, de Hélio Matheus e Luís Vagner, gravada por Luiz Américo, criticava a convocação feita pelo treinador, fazendo trocadilhos com os nomes dos jogadores, como Flecha (Grêmio), Palhinha (Cruzeiro) e Leão (Palmeiras), salvando a pele somente de Luiz Pereira (Palmeiras) e criticando as atuações de Jairzinho (Botafogo), escalado como centroavante. Mas o principal mote da canção era a indefinição sobre quem vestiria a camisa que havia sido de Pelé por quase duas décadas, destinada a Paulo Cesar Caju (então jogador do Flamengo) em 7 das partidas, enquanto Leivinha (Palmeiras) e Palhinha foram escalados uma vez cada com a mítica camisa 10. A letra faz referência à contrariedade de Rivellino (Corinthians), a quem foi destinada a 8 em todas as partidas da excursão. Cuidado seu Zagalo O garoto do parque está muito nervoso E nesse meio campo fica perigoso Parece que desliza nesse vai não vai Quando não cai É camisa dez da seleção, laiá, laiá, laiá É camisa dez da seleção, laiá, laiá, laiá Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele? Dez é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele? Despedida de Pelé - Maracanã - 18/07/1971 (Reprodução: Acervo O Globo) Por que ouvir? As músicas comentadas nesta postagem servem a múltiplos propósitos: relembrar canções que exaltaram a genialidade de um dos mais brilhantes jogadores brasileiros, Mané Garrincha, que foi do céu ao inferno em pequeno espaço de tempo; ressaltar as possibilidades de lirismo em uma inspiração futebolística e, para suavizar, mostrar que o humor também pode ser adequadamente utilizado, principalmente em uma época que ainda estamos órfãos de Pelé, com nossos “camisa 10” não conseguindo a afirmação e o protagonismo esperado, pelo menos nas 4 últimas edições da copa do mundo. 🎶 Beto bom de bola 🎼 Sérgio Ricardo 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵(8,0) 🎧 encurtador.com.br/gGP27 🎶 Balada número 7 🎼 Alberto Luiz 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (7,5) 🎧encurtador.com.br/aAEI5 🎶 O futebol 🎼 Chico Buarque 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵(9,0) 🎧 encurtador.com.br/koOS2 🎶 Camisa 10 🎼 Hélio Matheus e Luís Vagner 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (7,0) 🎧 encurtador.com.br/jlALO 📷 Arte: Rafael Camara; Reprodução: Arquivo Nacional; Reprodução:Blog Terceiro Tempo; Reprodução Blog Bemblogado; Reprodução Blog do Otávio (respectivamente) #SeleçãoBrasileira #Botafogo #Corinthians #Vasco #CopadoMundo1962 #CopadoMundo1966 #CopadoMundo1974 #Palmeiras #Grêmio #Cruzeiro
- Boteco JdT: Futebol & Música (2ª parte)
Na primeira parte desta série, abordamos algumas músicas compostas em homenagem (ou para promover) a seleção brasileira de futebol. Hoje o destaque vai para músicas feitas especificamente para alguns classudos como Tostão, Zico, Afonsinho e um suposto ponta de lança africano, comprovando que o futebol é uma fonte inesgotável de inspiração para alguns músicos que, em sua área de atuação, também jogam de terno. Durante as eliminatórias para a Copa de 70, os estreantes Paulo Laender e Ricardo Gomes Leite dirigiram o filme “Tostão – A Fera de Ouro”, planejado inicialmente para ser um curta metragem de 15 minutos, mas que se transformou em um longa, com caráter de documentário jornalístico, acompanhando a trajetória do classudo que foi responsável por 10 dos 23 gols marcados pela seleção, em apenas 6 jogos. A trilha sonora, composta pelos geniais Milton Nascimento e Fernando Brandt, incluiu a música “Aqui é o País do Futebol”, lançada por Nascimento em compacto, no ano de 1970, ainda antes da conquista do tricampeonato mundial. Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão aqui é o país do futebol Adotada euforicamente, junto com “Pra frente Brasil”, como trilha sonora da seleção na Copa do México, inclusive com uma gravação de Simonal, em novembro do mesmo ano, a letra de Fernando Brandt tem versos intencionalmente dúbios, com crítica velada ao comportamento dos brasileiros, que deixam de lado todas as amarguras e dificuldades em nome da paixão nacional. Nos campos de terra e grama Brasil é só futebol Nesses noventa minutos De emoção e alegria Esqueço a casa e o trabalho E a vida fica lá fora Ainda em 1970, o cantor lançou o álbum “Milton”, no qual o carro chefe era a música “Para Lennon e McCartney”, em parceria com Fernando Brandt e Lô Borges. Na remasterização do álbum, realizada em 1994, o álbum ganhou como bônus as músicas “Tema de Tostão”, “O Homem da Sucursal”, “Aqui é o País do Futebol” e “O Jogo” (Pacífico Mascarenhas), todas da trilha sonora do filme sobre Tostão. Em 1976, Jorge Ben Jor, que à época assinava apenas Jorge Ben, lançou um dos mais importantes álbuns da música brasileira. “África Brasil” foi eleito o 22º da lista dos 50 mais legais pela revista Rolling Stone e ocupa a posição 67 na lista dos 100 melhores discos nacionais, segundo a sucursal brasileira da revista. A 3ª faixa do lado B do álbum é a música “Camisa 10 da Gávea” que exalta as excepcionais qualidades do maior classudo da história do Flamengo, em especial os reflexos, lançamentos, dribles e a incrível habilidade na bola parada. É falta na entrada da área Adivinha quem vai bater? É o camisa 10 da Gávea, É o camisa 10 da Gávea. Incluída em um álbum reverenciado por suas inovações melódicas e classificado como marco de afirmação da cultura afro-brasileira, inclusive pela utilização de instrumentos de matriz africana como o atabaque, é forçoso reconhecer que a música tem letra não tão inspirada, tema ironicamente utilizado para falar do homenageado. Pode não ser um jogador perfeito Mas sua malícia o faz com que seja lembrado Pois mesmo quando não está inspirado Ele procura a inspiração E cada gol, cada toque, cada jogada, É um deleite para os apaixonados pelo esporte bretão. De qualquer forma, a música nasceu a partir da espetacular atuação de Zico no “Fla x Flu das Trocas", realizado em 1976, ocasião em que os rubro-negros venceram com 4 gols do camisa 10 da Gávea, sendo o segundo em cobrança de falta da entrada da área. Zico, aliás, talvez seja um dos jogadores mais homenageados ou citados na relação futebol e música, como em “Flamengão” (Bebeto, o cantor, não o classudo de origem baiana), “Saudades do Galinho” (Moraes Moreira), Gol Anulado (João Bosco e Aldir Blanc), “Uma vez Flamengo...” (Samba enredo da Estácio de Sá, em 1995) e “Zico é o nosso Rei” (Alexandre Pires), entre outras. Os anos 1970, auge da ditadura civil-militar brasileira, foram marcados por movimentos de rebeldia também no futebol. Retornando ao Botafogo depois de um empréstimo ao Olaria, o meio-campista Afonsinho ficou oito meses impedido de treinar. Cursando medicina mesmo enquanto atuava profissionalmente no futebol, o classudo era politizado, participava do contestador movimento estudantil da época e, sinal daqueles tempos, passou a cultivar uma vasta cabeleira e deixou a barba crescer, irritando os conservadores da época, entre os quais o técnico Zagallo. Gilberto Gil, em 1973, lançou o álbum “Cidade do Salvador”, cuja música de abertura, “Meio de Campo”, é uma inspirada homenagem ao jogador, cuja luta pelo direito de exercer sua profissão resultou na conquista judicial do passe livre, transformando Afonsinho em precursor da Lei do Passe, editada em 2001. Prezado amigo Afonsinho Eu continuo aqui mesmo Aperfeiçoando o imperfeito Dando um tempo, dando um jeito, Desprezando a perfeição. Que a perfeição é uma meta Defendida pelo goleiro Que joga na seleção. Mesmo não sendo um jogador que tenha alcançado brilhantes feitos futebolísticos, como Pelé e Tostão, Afonsinho, sem dúvida, marcou um golaço na árdua e difícil luta abolicionista na relação entre jogadores e clubes. E eu não sou Pelé nem nada Se muito for, sou um Tostão. Fazer um gol nessa partida não é fácil, meu irmão. A relação entre o futebol e o aclamado álbum “África Brasil” não se restringe à homenagem a Zico. A faixa de abertura do lado A é “Ponta de Lança Africano”, também conhecida como “Umbabarauma”, é mais uma das incursões de Jorge Ben Jjor no universo do futebol, depois de já ter feito a conhecida “Fio Maravilha”, vencedora da fase nacional do VII Festival Internacional da Canção (FIC) em 1972, interpretada por Maria Alcina. A história de Umbabarauma é interessante porque Jorge Benjor alega ter sido inspirado por um jogador africano que jogava com a camisa 10 de um time na França, quando o cantor excursionava pelo país em 1976, juntamente com sua banda Admiral Jorge V. Consta que o jogador em questão, na realidade, chamava-se Babaraum, mas não se tem notícia se ele atuava em um time profissional ou não, ou mesmo que fosse africano. Umbabarauma, homem gol Joga bola, joga bola Corocondô Joga bola, joga bola Jogador Pula pula, cai, levanta Sobe desce Corre, chuta, abre espaço Vibra e agradece É meio estranho que, com tantos craques em evidência na época, Jorge Ben Jor tenha escolhido homenagear um obscuro (e talvez até inexistente) jogador africano, mas a referência faz todo o sentido em termos de celebração da cultura afro, como já foi mencionado acima. Fato é que, com muita percussão e vocais femininos de apoio, o artista eternizou uma referência músico-futebolística de grande impacto, embora a letra – e me perdoem aqui os apaixonados jorgebenjornianos –, não seja lá essas coisas, mas celebra a paixão pelo futebol de uma maneira gostosa e dançante. Olha que a cidade Toda ficou vazia Nessa tarde bonita Só pra lhe ver jogar Umbabarauma, homem gol Por que ouvir? Musicalmente as composições relacionadas nesta segunda parte de nossa série são excepcionais, embora em pelo menos duas delas as letras não sejam das mais inspiradas. Mas nosso propósito foi destacar as histórias que originaram esses sucessos musicais, relembrando a época em que futebol e música viviam momentos de inspiração e talento. 🎶 Aqui é o país do futebol 🎼 Milton Nascimento e Fernando Brandt 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (9,5) 🎧 Clique aqui para ouvir 🎶 Camisa 10 da Gávea 🎼 Jorge Ben Jor 🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (6,0) 🎧 Clique aqui para ouvir 🎶 Meio de campo 🎼 Gilberto Gil 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (8,5) 🎧 Clique aqui para ouvir 🎶 Ponta de lança africano (Umbabarauma) 🎼 Jorge Ben Jor 🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵🎵 (8,5) 🎧 Clique aqui para ouvir









